quarta-feira, 26 de março de 2025

Extraído da conferência de Sri Vájera Yogui Dasa datada em 22 de julho de 1934

 

Quando um homem quer fazer outro progredir, ele pode castiga-lo. Se eu castigo meu filho, não é por prazer em puni-lo, mas para que ele aprenda, para que evolua. Mas eu sou um homem, tenho um tempo limitado neste mundo e, por isso, faço isso. Deus, por outro lado, tem milhões de anos para guiar a evolução de todos os seres. Portanto, a ideia de um inferno eterno, onde não há progresso nem utilidade, seria apenas uma vingança cruel e sem sentido. Segundo os brâmanes, Deus possui uma sabedoria infinita e não condena um único ser. Além disso, dizem que até os átomos vibrantes nas montanhas, emitindo elétrons, estão em processo de evolução. Com o tempo, através das forças de atração e repulsão que atuam durante milhões de anos, esses átomos evoluirão. A força de atração representa o amor, e a repulsão, o ódio. No entanto, chegará um momento em que nem o amor nem o ódio existirão.




quinta-feira, 13 de março de 2025

sexta-feira, 7 de março de 2025

A HUMANIDADE PRIMITIVA ATUAL*

 

Queridos,

 

Postarei aqui uma dose mínima (só um deguste) do que teremos em nosso site oficial do Ashram Sarva Mangalam, que está em nutrição e em breve estará disponível para todos !!!!!

 

Escolhi para esta prévia, este texto magnífico do "Jnana Dhata Suddhacharya", Sri Vájera Yogue Dasa, nosso Mestre Iniciador.....

 

Espero que disfrutem de forma amorosa, lembrando sempre que estes estudos, foram realizados nas primeiras décadas do século passado...portanto merecem interpretações considerando o tempo, o lugar e todas as limitações da época.

 

Boa leitura a todos(as) !

 

Devimarga Dasika,

(JDA)







A HUMANIDADE PRIMITIVA ATUAL*

 

Benjamín Guzmán Valenzuela

Si Vájera Yogui Dasa

Jnana Dhata Suddhacharya,

 

Aquele que ama tudo, não pode odiar nada, e quem não odeia nada já deu um grande passo para alcançar a felicidade. Felicidade que buscamos por todos os meios que acreditamos nos conduzir a essa bem-aventurança, que às vezes conseguimos tocar sem poder retê-la e que sempre parece se afastar mais e mais, quanto maiores são nossos desejos. Mas quem não deseja nada? É possível não desejar nada? Matar o desejo? Não!

Acredito que isso não seja possível, mas sim que é lógico selecioná-los, separar os bons dos maus, pois os maus podem ser eliminados, vencidos. Podemos ir deixando em nossa mente apenas pensamentos elevados e sublimes de felicidade, de paz, de amor – para nossa família, nossa pátria, nossa humanidade – e ainda ir além, respeitando o animal, o pássaro, a flor... Pois quanto mais bela e feliz for a humanidade como um todo, mais felizes seremos nós, que amamos a felicidade.

Todo desejo ou ideal que busca trazer felicidade, paz ou amor ajudará a eliminar a inveja – essa que muitos deixam crescer e se alimentar do egoísmo, que os envenena sem que, em sua ignorância, façam algo para se livrar desses rivais internos que os impedem de desfrutar da felicidade dos outros.

Para muitos, pode parecer estranho sentir alegria pela felicidade dos outros, mas, na verdade, isso é algo completamente natural. Basta amá-los, desejar-lhes o bem. Se alguém tem felicidade – seja ela econômica, física ou intelectual –, que isso seja para aqueles que amam a bem-aventurança um motivo de júbilo. E se virmos alguém em desgraça, alguém sofrendo, façamos o que estiver ao nosso alcance para aliviar ou eliminar esse sofrimento. Nossos esforços serão recompensados com a satisfação da nossa consciência.

Sim, é na nossa consciência que receberemos nossa recompensa, e ninguém poderá tirá-la de nós, porque nós somos os doadores e os recebedores. Sentir-nos-emos mais felizes à medida que experimentarmos mais alegrias em nossa consciência, que se tornará mais ampla à medida que nela guardarmos sensações mais puras e elevadas.

Ao falar de consciência, não há dúvida de que uns compreenderão mais e outros menos, conforme suas experiências ou conhecimentos adquiridos pelo estudo, pela meditação ou por outros meios. Mas ninguém ousaria pensar de si mesmo que é um inconsciente diante de todos os fatos humanos.

Não há dúvida de que quanto mais instrução e conhecimento tivermos, melhor compreenderemos as leis humanas. Por isso, não há motivo para não estudar e investigar as causas da dor e da felicidade.

Aqueles que se perguntam sobre o caminho a seguir para alcançar uma felicidade segura e completa podem estudar os que mais se aprofundaram nesse assunto e que deixaram seus ensinamentos sobre esse grande e essencial problema. Mas antes, devemos estudar os povos, analisar os homens por seus traços gerais, aceitos hoje por toda pessoa de ciência.

A Humanidade Primitiva Atual

Este título pode parecer contraditório e ilógico para muitos, mas será compreendido ao se ler o que exponho a seguir.

Digo Humanidade Primitiva Atual porque farei um pequeno resumo e comparação entre as formas de pensar e de enxergar a vida dos povos que, em nossa era, ainda vivem e pensam como nossa raça vivia há milhares de anos. E isso está cada vez mais documentado pelos mais recentes descobrimentos arqueológicos, resultado dos grandes trabalhos de escavação realizados pela Mission Scientifique da França, assim como por investigações inglesas e alemãs nos solos do Egito, da Pérsia, da Índia, da Austrália etc.

A Religião Primitiva

A partir do resumo desses dados, podemos extrair a religião primitiva, ou seja, a religião que existiu entre a época Terciária e a Quaternária, que, em essência, é idêntica em todas as religiões, conforme demonstram os estudos comparativos históricos e científicos sobre os monumentos, cavernas repletas de desenhos e pinturas, bem como a posição dos cadáveres encontrados adornados com colares, amuletos, fetiches etc.

Segundo os símbolos gravados nesses objetos, acreditava-se que possuíam qualidades espirituais ou mágicas, demonstrando uma crença em um mundo superior. O mesmo padrão pode ser observado, por analogia, em povos indígenas da Austrália, África, os araucanos e muitas outras comunidades que ainda se encontram no nível dos homens primitivos.

Até hoje, não existe e nunca foi encontrado um povo ou raça que não possua a ideia ou fé em um poder consciente e criador do Universo, secundado por legiões de forças benéficas ou malignas, que ajudam no grande plano do Primeiro Poder.

Na África, por exemplo, o médico e o adivinho geralmente desempenham o mesmo papel, pois acredita-se que todo mal vem de uma alma ofendida, à qual são oferecidos sacrifícios, oferendas e rituais mágicos.

Por exemplo, é comum ver, nas costas sudoeste da África, o Ngangga mielongo ou médico realizar a seguinte cerimônia para curar um paciente com dor localizada:

Ele esculpe uma figura representativa do doente e a submete a uma série de cerimônias mágicas.

Depois, coloca na boca um pedaço de madeira ou um pequeno objeto e começa a sugar o boneco na parte correspondente à área afetada do paciente.

Em seguida, ele cospe a madeira no fogo, onde o "espírito do mal" é queimado e, assim, afastado do paciente.

Se a pessoa se sente aliviada, a cura foi bem-sucedida. Caso contrário, significa que não é digna de ser curada e deve aceitar o castigo.

Os gris-gris africanos – objetos usados como talismãs contra espíritos malignos – passam por uma série de cerimônias magnéticas, que os colocam em uma condição vibratória capaz de afastar entidades negativas e atrair as positivas. Entre os objetos mais comuns estão conchas nacaradas, cabeças de serpentes e garras de animais ferozes. As serpentes, em particular, recebem um culto especial. Em Weida (Dahomey), existe até um templo repleto de cobras sagradas.

Isso não significa que os africanos adorem a matéria, mas sim que veneram o espírito ou entidade que foi ligado ao objeto.

Para maior clareza, transcrevo aqui um relato do R.V. Padre Bandin sobre a morte de um feiticeiro:

"Nas costas dos Escravos, ao falecer um grande feiticeiro, todos os seus fetiches foram retirados de sua cabana como se fossem meros objetos inúteis. Perguntei aos negros por que os desprezavam daquela forma, e me responderam que os deuses já não estavam ali, pois haviam partido com seu servidor falecido."

Isso mostra que o feiticeiro tem o poder de influenciar a matéria, tornando-a um canal de conexão com forças espirituais.

Na realidade, essa prática ainda é realizada em todas as religiões, mas sob nomes diferentes, como bênção ou consagração de estátuas, imagens, cruzes ou outros objetos considerados sacramentais.

Da mesma forma, cada religião possui seus próprios signos religiosos, representando forças espirituais de acordo com a intenção da oração.

Por exemplo:

O deus Chatala, deus da luz, recebe orações diante de um tabuleiro branco, pois essa é sua representação simbólica.

Oke, deus das montanhas, é representado por uma pedra.

Ogún, o ferreiro divino, é simbolizado por um pedaço de ferro.

Isso não tem nada de ridículo, como algumas seitas religiosas modernas tentam fazer parecer. Afinal, até no Cristianismo, são aceitos símbolos como a cruz, o peixe, o cordeiro e o pombo, representando estados espirituais.

Crença na Reencarnação

É uma crença comum entre os povos africanos que as almas, após desencarnarem, voltam a nascer novamente. O R.P. Baudin relata o caso de uma mãe que tratava seu filho com extremo carinho e se submetia a todos os seus caprichos porque o feiticeiro havia declarado que o recém-nascido era seu avô reencarnado. O Dr. Barret, em seu livro "África Ocidental", menciona um caso ocorrido em Porto Novo:

"Certo dia, falava-se sobre um mago que havia morrido em uma guerra e que, segundo diziam, acabava de renascer. O bebê possuía uma marca acidental na testa, que foi considerada como a cicatriz da bala que o matou na vida passada. A mãe afirmava que aquele bebê era seu falecido marido, que havia retornado ao lar na pessoa de seu filho."

Poderia citar muitos outros exemplos relatados por geólogos, historiadores e missionários, mas o essencial é que toda a África acredita firmemente em um Deus supremo e na reencarnação da alma.

Digo "um Deus supremo" para esclarecer que os africanos não são politeístas ou idólatras, como muitos pensam, mas sim que reverenciam um ser supremo, pai e criador de seus filhos espirituais e das diversas manifestações no plano físico.

Esse ser supremo recebe diferentes nomes em diversas regiões:

Jonkina nas Costas do Ouro,

Olorun entre os Yorubás,

Tsuikoab entre os Hotentotes,

Ngadzi em Zanguebar, onde ele se comunica com seus iniciados através do som de uma flauta sagrada.

Muitas vezes, os povos africanos são julgados erroneamente como idólatras, e considerados separados da verdade. Isso ocorre, talvez, pela falta de conhecimento comparativo entre religiões ou pela ignorância sobre o idioma e o significado espiritual de seus ritos e palavras.

A Escolha do Feiticeiro

Vale destacar que, entre os negros, sobretudo os do Gabão, existem classes sociais bem definidas. Aqueles que ocupam a classe mais alta são os escolhidos para desempenhar o papel de feiticeiros. A seleção ocorre entre crianças de sete a dez anos, que são educadas e treinadas de forma especial para desenvolver suas habilidades espirituais.

Na revista francesa "Coloniale", é detalhada a última cerimônia à qual um aspirante a feiticeiro é submetido.  Em primeiro lugar, o aspirante é banhado com uma infusão feita de cento e uma plantas diferentes. Em seguida, ele tem o corpo envolto com uma faixa de palmeira jovem, e então, junto aos feiticeiros, segue em procissão ao redor do bosque sagrado. Neste momento, acontece a cerimônia principal: trata-se de descobrir se o Mestre aceita ou não o ministro que lhe é oferecido.

Aquí está como ocorre a consulta:

O menino é sentado em um banco fetiche.

Os feiticeiros lavam sua cabeça novamente com a decocção de ervas e invocam, em alta voz, o fetiche ou mestre.

O chamado é repetido três vezes, enquanto os feiticeiros dançam e saltam ao redor do neófito, ao som ensurdecedor de tambores e instrumentos metálicos.

Quanto mais estrondoso o barulho, mais solene é a festa, segundo a crença dos negros.

Pouco a pouco, o aspirante começa a demonstrar sinais de possessão espiritual:

Seu corpo treme,

Seu olhar fica perdido,

Ele entra em um estado de excitação intensa, a ponto de ser necessário segurá-lo para evitar que se machuque ou cause danos a outros.

Nesse momento, todos os presentes aclamam o fetiche, gritando de alegria:

"Oricha oh! É o fetiche! Orichagun oh! Ele está possuído pelo fetiche!"

Após horas de barulho e frenesi, o objeto fetiche que esteve em contato com o iniciado é retirado. Aos poucos, ele recupera a consciência, saindo do estado de transe ou hipnose, para, finalmente, cair no abatimento.

Essas cerimônias são sempre acompanhadas de grandes sacrifícios – tanto de animais quanto humanos –, onde o sangue é bebido junto com licores fortíssimos.

Das Tradições Africanas às Americanas: Os Povos Indígenas

Agora, saindo da África e indo para a América, continuemos nosso estudo. Vejamos, por exemplo, os Peles-Vermelhas. Eles acreditam no Grande Sopro ou Grande Manitú, que dá vida e sustenta os manitús ou espíritos que habitam a natureza.

Esses espíritos são reverenciados como seres extremamente poderosos e vingativos, responsáveis por:

Criar as flores e as árvores,

Fazer correr os rios,

Acender as estrelas no céu.

Mas, por serem vingativos, não perdoam qualquer ofensa feita a eles ou às suas criações. A única forma de obter perdão é se a ofensa for cometida inconscientemente. Por isso, antes de irem para a guerra, os indígenas realizam grandes cerimônias com consumo excessivo de bebidas alcoólicas, pois acreditam que os danos causados sob efeito da bebida são responsabilidade do espírito do álcool.

Os Caribes, das Antilhas e das costas americanas, quando foram descobertos, acreditavam que cada indivíduo possuía um espírito protetor, chamado Chemi, que o guiava na luta diária.

Para eles, a alma humana era dividida em três partes:

A alma dos braços (ligada à força física),

A alma da cabeça (ligada à inteligência),

A alma do coração (Poyé, a única que sobrevive após a morte).

No Brasil, entre os Botocudos, acredita-se no Espírito Primeiro, chamado Tupã, que comanda uma hierarquia de espíritos superiores, como:

Yurupari,

Gurupiras,

Apoyacues, entre outros.

Nas ilhas da Polinésia, acredita-se na existência de um anjo guardião, chamado Tiki, além de divindades naturais representadas pelo Sol, as estrelas, os rios e as fontes. Essas divindades são chamadas Atuas, mas, acima delas, está o Grande Tiki, que governa todas as forças espirituais.

Os Samoanos acreditam que enterrar um cadáver sem cerimônia fúnebre é o pior castigo que se pode dar a uma alma.

Na Micronésia, o culto aos mortos é considerado um dos mais benéficos, razão pela qual guardam os crânios de seus ancestrais, pois acreditam que neles reside a alma.

Na Austrália, há a adoração de um Grande Deus, seguido por uma corte de divindades inferiores.

Em Madagascar, os nativos acreditam que possuem duas almas:

Saina, a alma mortal,

Matoatoa, a alma imortal.

Já nas regiões geladas da Finlândia, encontramos a fé no Grande Pai dos Deuses, cercado por uma corte de divindades chamadas Haltias e Tadebeyos, que determinam as felicidades e dores da vida.

Eles acreditam que são essas divindades que:

Criam as sementes das árvores,

Dão vida aos filhos das mães,

Guiam os instintos dos animais.

E assim poderíamos continuar nosso estudo sobre os poucos povos que ainda vivem isolados da civilização moderna, sem serem afetados pelo ruído ensurdecedor do progresso.

A Religião e a Busca pela Verdade

Ao longo dos séculos, todas as civilizações da África, Ásia, Europa e América foram gradualmente transcrevendo seus sentimentos espirituais em livros e escrituras sagradas.

Entretanto, essas escrituras acabaram dogmatizando e limitando a inspiração infinita do espírito humano.

Não precisamos de livros para conhecer Deus. Basta olharmos para a perfeita ordem da Arquitetura Cósmica, que sempre indicará a existência de um Construtor infinitamente sábio que a criou. Os livros são apenas registros intelectuais, fragmentos retirados por diferentes indivíduos do vasto oceano das maravilhas criadas.

O Senhor da Criação falará a cada um conforme sua capacidade de ouvir, sem se restringir aos limites da palavra humana, pois muitos sentimentos internos não podem ser expressos nem por palavras, nem por gestos ou símbolos.

Se já é difícil ou até impossível registrar a voz divina nos limitados caracteres de um alfabeto, muito menos podemos tentar engaiolá-la em um único livro.

No entanto, a Sua voz pode ser ouvida dentro da paz e da tranquilidade da nossa consciência, sem limitações de qualquer espécie. E sempre a ouviremos, até onde nossa capacidade permitir. Se não conseguirmos compreendê-la claramente, não seremos condenados por isso, pois o Sábio conhece a nossa pequenez e nos ajudará enquanto precisarmos de auxílio. Ele não nos imporá obstáculos ou maldições em nossa busca por uma vida superior. Assim, aprenderemos a reconhecer Sua voz em nós mesmos, na humanidade e na criação. Essa voz divina, quando passa pelos povos primitivos e incultos, é expressada de maneira selvagem. Mas, quando passa pelos sábios iniciados, é expressada com sabedoria. Porém, em essência, é sempre a mesma voz superior, a voz do Eterno Amor e da Paz, conduzindo a humanidade em harmonia com as leis cósmicas e o grande ritmo da evolução do espírito.

 

 

*Tradução feita a partir do texto original em espanhol por Kalamata Dasika (Marina Elisa), Servidora no Ashram Sarva Mangalam de São Paulo.

 

LA HUMANIDAD PRIMITIVA ACTUAL

Benjamín Guzmán Valenzuela

El que lo ama Todo, no puede odiar nada y el que nada odia ya tiene dado un gran paso para llegar a la felicidad; felicidad que buscamos por todos los medios que creemos nos conducen a esa Dicha que a veces alcanzamos a rozar sin poderla detener y que siempre la vemos alejarse más y más, cuanto mayores son nuestros deseos.

¿Pero quién no desea nada? ¿Es posible no desear nada? ¿Matar el deseo?  ¡No!

Creo que no es posible, pero sí que es lógico seleccionarlos, apartar los buenos de los malos, que los podemos aniquilar, vencer e ir dejando en nuestra mente pensamientos elevados y sublimes de felicidad, de paz, de amor, para nuestra familia, patria, humanidad y aún avanzar más respetando el animal, el ave, la flor…. Pues cuanto más bella y feliz sea la humanidad toda, la creación, tanto más felices estaremos nosotros los que amamos la felicidad.

Todo deseo o ideal que tienda a hacer feliz o a dar paz o Amor, irá matando la envidia que muchos dejan crecer y alimentarse con el egoísmo que los envenena, sin que hagan nada en su ignorancia por concluir con estos rivales que no los dejan gozar con la felicidad de los demás.

Extraño será para muchos esto de gozar con la felicidad de otros y sin embargo es tan natural, solo se necesita amarlos, querer su bien, que si alguno tiene felicidad ya sea económica, física, intelectual, sea para los que amamos, la dicha, un motivo de gozo, y si vemos alguna desgracia, algún sufrimiento, tratemos lo que nos sea posible de aliviarlo o de suprimirlo, quedando nuestros esfuerzos altamente recompensados con la satisfacción de nuestra conciencia.

Si, en nuestra conciencia es donde recibiremos nuestro pago, que nadie podrá quitarnos porque nosotros somos los donantes y los recibidores y nos iremos sintiendo más felices a medida que recibamos más placeres en nuestra conciencia que se ira haciendo mucho más amplia al guardar en ella mejores y más puras satisfacciones.

También al decir conciencia no hay duda que unos trataran más y otros menos, según hayan sido sus experiencias o conocimientos adquiridos por el estudio, la meditación o por cualquier otro sistema; pero nadie se atreverá a pensar de si mismo que es un inconsciente para todos los hechos

Humanos.

No habiendo duda que cuanto más instrucción o conocimiento tengamos, mejor podremos comprender las leyes humanas, así es que, no hay porque no estudiar y escudriñar las causas del dolor y de la felicidad.

Los que preguntan sobre este sentido, sobre que conducta o que sendero se debe seguir para llega a una segura y completa dicha; pueden estudiar a los que más han profundizado y dado sus enseñanzas sobre este primordial y grandioso problema.

Pero antes estudiaremos los pueblos, analicemos los hombres por sus rasgos generales aceptados hoy por todo hombre de ciencia.

 

La Humanidad Primitiva Actual.

Este título que parecerá a muchos contrario e ilógico se comprenderá cuando se hayan leído lo que a continuación expongo:

Digo Humanidad Primitiva Actual, porque voy a hacer un pequeño resumen y comparación en la forma de pensar y de contemplar la vida por los pueblos que en nuestra actual época viven y piensan como nuestra raza vivió hace miles de años y cuya historia cada vez más completa por los últimos descubrimientos sacados de los grandes trabajos de excavación arqueológicas hechas por la “Mission Scientifique” de Francia como los de igual índole inglesa y alemana en los suelos de Egipto, Persia, India, Australia, etc.

Así que del resumen de estos datos, podemos extractar la religión primitiva, es decir, la religión comprendida entre la época Terciaria a la Cuaternaria que es en el fondo igual e idéntica en todas las religiones, según se comprueba por los estudios comparados históricos y científicos del exámen de los monumentos, cavernas llenas de dibujos y pinturas, lo mismo que la posición o colocación de los cadáveres, con collares, amuletos, fetiches, etc. Que según los signos en ellos grabados, debían tener cualidades espirituales o mágicas, demostrando la creencia en un mundo superior, lo mismo que actualmente podemos ver por analogía en los salvajes de Australia, África, araucanos, y muchos otros pueblos que todavía se hayan al nivel de los hombres primitivos.

Hasta ahora no existe y no se ha encontrado pueblo o raza que no tenga la idea o fe en un poder consciente y creador del Universo, secundado por legiones de fuerzas benéficas o malignas, que ayudan al gran plan del Primer Poder.

En África el médico y el adivino generalmente desempeñan el mismo oficio, pues tienen la creencia que todo mal proviene de un alma ofendida a la cual se le ofrece toda clase de ofrendas y conjuros.

Por ejemplo es frecuente ver en las costas S.O. del África al Ngangga mielongo o médico llevar a efecto la siguiente ceremonia para sanar de algún dolor local a un paciente.

“Hace una figura representativa del enfermo a la cual le hace pasar por una serie de ceremonias de magia, después de lo cual el médico se echa a la boca un pedazo de madera o algún objeto pequeño y chupa el muñeco en la parte que corresponde al mal que se desea sanar, después escupe el pedazo de madera al fuego donde se quema el espíritu del mal que ha sido atraído a la madera, por el poder del brujo médico se aleja y abandona al enfermo, que  debido tal vez a la sugestión de la ceremonia se siente aliviado.  En caso contrario quiere decir que no es digno de ser sanado y hay que conformarse con el castigo”

Los grisgrís africanos u objetos preservativos de los espíritus perversos pasan por una serie de ceremonias magnéticas que los ponen en una condición vibratoria que aleja a las malas entidades y atrae a las buenas sirviendo para este objeto nacaradas conchas, cabezas de serpientes, garras de fiera; sobretodo a las serpientes se les da un especial culto existiendo en Weida (Dahomey) un templo lleno de culebras sagradas.

Esto no quiere decir que el africano adore la materia, sino que el espíritu o entidad que ha sido ligado al objeto.

Para mayor claridad transcribo aquí como relata el R.V. Padre Bandin la muerte de un fetichero

 En las costas de los esclavos, dice:”Habiendo muerto nuestro vecino el Gran Fetichero, fueron retirados de su cabaña todos sus fetiches como otros tantos objetos ya inútiles. Pregunte a los negros porque los despreciaban de tal modo y me afirmaron que ya no estaban los dioses, pues se habían ido con su servidor difunto”

Como se comprende el Fetichero es un individuo que tiene el poder de influir sobre la materia para hacerla atrayente a las fuerzas suprafísicas.

Todo esto se hace y se practica hoy día por todas las religiones con el nombre de Bendición o consagración de estatuas, imágenes, cruces o cualquier otro objeto según ellos sacramental.

Así ellos tienen también sus signos religiosos correspondiente a ideas de fuerzas espirituales en una u otra modalidad según sea el sentido a que va dirigida la plegaria, representando a sus divinidades según el signo que les corresponde.

Por ejemplo el al Dios Chatala, dios de laluz, se les hacen sus oraciones ante un tablero blanco, que es el signo que le corresponde.  Oke, dios de las montañas es representado por una piedra, Ogún el vulcano negro, por un pedazo de hierro.

Esto no tiene nada de ridículo como algunos sectarios de nuestras religiones modernas, pretenden hacerlas aparecer, pues aún en el cristianismo, son aceptadas las figuras de una cruz, un pez, el cordero, el pichón como signos representativos de estados espirituales.

Es creencia general entre los negros, que las almas una vez desencarnadas vuelven de nuevo a repetir sus nacimientos.

El R.P. Baudin relata el caso de una madre que trataba a su hijo con sumo cariño, y hasta se sometía a sus caprichos, porque el Fetichero había declarado que el recién nacido era el abuelo de la madre.

El Dr. Barret, en su libro “Afrique Occidentale” dice:”Un día residiendo yo en el Porto Novo, hablose de un mago, muerto en la guerra y que, según decían acababa de nacer otra vez.  El niño llevaba en la frente una marca accidental, que fue declarada proceder de la bala que lo mató; la madre afirmaba, que era su difunto marido que reaparecía en el hogar en la persona de su hijo”

Puedo citar muchos otros ejemplos, relatados por geólogos, historiadores o misioneros, pero baste decir que de éstos estudios se desprende que toda el África cree positivamente en un dios superior y en un alma que muere y vuelve a renacer.

Digo en un Dios superior para constatar que no son los negros salvajes, una raza que adore muchos dioses, sino que reverencian a un ser supremo, padre y formador de sus hijos espirituales, como de las diversas manifestaciones en el plano físico.

Siendo este ser supremo, designado en las costas de oro con el nombre de Jonkina; Oloron por los Yorubas; el gran espíritu de los Hetentotes es Tsuikoab, o en Zanguebar el Gran Ngadzi que se comunica a sus iniciados por el sonido de su flauta sagrada.

Se equivocan casi siempre los que juzgan a estos pueblos,  como idolatras,  y enteramente separados de la verdad; debido tal vez a la falta de comparaciones religiosas o a la ignorancia del idioma y significado que envuelven sus ritos y palabras en el sentido del alma.

También conviene advertir que entre los negros sobre todo en los del Gabon, existen clases sociales, siendo de la más alta clase social de donde se escoge la persona destinada a desempeñar el oficio de Fetichero, teniendo dicha persona de siete a diez años, al que se le educa y dirige en forma especial.

En la revista “Coloniale francesa”, se detalla la forma de la última ceremonia a que se somete al aspirante:

 “En primer lugar se le baña en un agua en que se han hecho hervir ciento una plantas diferentes.  Se le ciñe el cuerpo con una cintura de palma tierna, y se sigue con los feticheros una procesión en torno al bosquecillo sagrado, entonces se verifica la ceremonia principal.  Se trata de saber si el Maestro acepta o no, el ministro que le proponen.  He aquí como se le consulta. El niño se sienta en un banco fetiche, los feticheros le lavan la cabeza de nuevo con la decocción de yerbas y llaman en alta voz al fetiche o maestro, tres veces renuevan su llamamiento, y al mismo tiempo danzan y brincan en torno al neófito, mientras tambores y herrajes de toda suerte hacen un ruido ensordecedor, porque los negros mientras más infernal es el estruendo, más solemne es la fiesta.

Poco a poco el aspirante que ha de mostrar a todos que el espíritu le invade, empieza a estremecerse, su cuerpo tiembla, su mirada se extravía y no tarda en excitarse de tal manera, que a menudo hay que sujetarlo para impedir que se lastime o cause daño a los demás.  Entonces todas las personas presentes aclaman al fetice dando gritos de alegría, ¡Oricha oh!

¡Es el fetiche! ¡Orichagun Oh! Está poseído del fetiche”

Después de algunas horas de estruendo y frenesí retiran el objeto fetiche puesto en contacto con el agitado, que recobra poco a poco los sentidos, cesa su estado de furor o de hipnosis para ceder el puesto al abatimiento.

Siempre estas fiestas y otras similares, son acompañadas de grandes sacrificios, de animales y humanos donde la sangre se bebe junto con los licores más espirituosos y fuertes, que es dable concebir.-

 

Pasemos del África a la América y sigamos nuestro estudio, veamos por ejemplo a los pieles rojas.

Ellos creen en el gran Soplo o gran Manitú que da vida y mantiene a los Manitus o espíritus que habitan en la naturaleza.

Reverencian a éstos soplos como a seres muy poderosos y vengativos, encargados de formar las flores y los árboles, hacer correr los ríos y encender las estrellas.  Pero son vengativos porque no perdonan ninguna palabra ni ningún perjuicio que sea dirigido a ellos o a sus obras.

Únicamente son dignos de perdón cuando han hecho la inconscientemente, así es que por esto sus guerrillas o luchas son siempre preparadas con grandes libaciones de bebidas alcohólicas y los daños causados de esta manera es responsable el espíritu del licor.

Los Carbes de las Antillas y de las costas Americanas creían cuando se les descubrió en que cada individuo tenía otro  espiritual denominado por ellos Chemi; que los guiaba en la lucha diaria y el alma humana la dividían en tres categorías: la de los brazos, la de la cabeza y la del corazón.

Al morir un ser, ellos creen que el alma muscular se concluye, junto con el alma cerebral, para quedar únicamente el Poyé, o el alma del corazón.

Penetramos al interior de América, al centro de los vírgenes bosques del Brasil, e interroguemos a la tribu de los Botocudos, llamados así por los botoques o discos que se ensartan en las orejas y nos contestaron que el Espíritu Primero, se llama Tupán y dirige a los espíritus superiores llamados Yurupari, Gurupiras, Apoyacues, etc.

En las Islas de Oceanía, en la Polinesia, se cree en un ángel custodio o Tiki y en divinidades naturales cuyos símbolos son el Sol, las estrellas, los ríos, las fuentes; divinidades llamadas Atuas, sin quitar por esto que el gran Tiki gobierna a todas las divinidades.

Los Samoanos consideran que enterrar un cadáver sin haberle hecho ceremonias de difuntos, es el castigo peor que se le puede dar a un alma.

El culto a los muertos en la Micronesia, es considerado como uno de los más benéficos, por lo cual guardan los cráneos de los antepasados, donde según ellos reside el alma.

En Australia adoran al gran Dios, seguido de su corte de divinidades inferiores.

En Madagascar, los indígenas se creen dotados de dos almas: Saina (alma mortal) y Matoatoa (alma inmortal).

Ahora pasando a las heladas regiones de Finlandia, volvemos a encontrar la fé en el Gran Padre de los Dioses, rodeado de su cohorte de dioses llamados Haltias y Tadebeyos, y son los contribuyentes en las felicidades o dolores de la vida, siendo ellos los que forman las semillas de los árboles, dan vida al hijo de la madre y guían al animal en sus instintos.

Y así podemos ir estudiando los pocos pueblos, que quedan sin que haya llegado hasta ellos el ensordecedor estruendo de la moderna civilización, a turbar la plácida quietud de sus vidas.

Toda el África, el Asia, Europa o la América civilizada, ha ido recapitulando con el lento rodar de los siglos este grito espiritual interno e inmenso de toda una creación, en libros o en escrituras, que muchas de ellas bajo el título de sagradas, dogmatizan y sofocan la inspiración ilimitada del genio humano.

No tenemos necesidad de libros para conocer a Dios, para eso tenemos el orden perfecto de la Arquitectura Cósmica, que siempre indicará al constructor infinitamente sabio que lo formó.

Los libros solo sirven como ilustraciones intelectuales, sacadas por uno u otro ser del océano de las maravillas creadas.  El Señor de  la creación, nos hablará a cada uno según su nota, sin ceñirse para ello a una pauta limitada y estrecha, como es la palabra humana para dar su sabiduría, pues hay muchos sentimientos internos que no se pueden comunicar por la palabra ni ayudada por la acción o el signo.  Cuanto más difícil o imposible será entonces grabar su divina voz con los limitados caracteres de un alfabeto.

Pero Su palabra, se hará oír en la paz y en la tranquilidad de nuestra conciencia, sin limitación de ninguna especie, la oiremos siempre, hasta donde seamos capaces de escucharla.  Y si no podemos entenderla claramente, no nos condenará, pues bien sabe el sabio lo poco que aún somos y nos ayudará mientras necesitemos de auxilio, sin ponernos estorbos ni maldiciones en nuestra realización de una vida superior.

Así iremos comprendiendo más y más Su voz en nosotros mismos, en la humanidad, en la creación, voz divina, que al pasar por los pueblos primitivos e incultos, por las almas salvajes, es demostrada por ellos salvajemente, lo mismo que el sabio iniciado la muestra con sabiduría, pero siempre es la misma voz superior, de Paz y Amor Eterno, para que así marche en armonía, con las leyes Cósmicas el gran ritmo de la evolución del espíritu.