Unidade com Diversidade Consciente - Ashram Sarva Mangalam (SDM)
Esta escola nos leva para um caminho de autoconhecimento objetivando nossa autorrealização, por direções simples e sintéticas através do Supremo Absoluto ! Rua: Coriolano 169/171 Bairro: Pompéia - São Paulo/SP Tel: 3862 7321 ------------------------------- A Suddha Dharma é a fonte das religiões do mundo que nutriram no passado e continuam a nutrir atualmente as sagradas aspirações da humanidade. Ela é a raiz da Luz. (Marinês Peçanha de Figueiredo)
quarta-feira, 26 de março de 2025
Extraído da conferência de Sri Vájera Yogui Dasa datada em 22 de julho de 1934
quinta-feira, 13 de março de 2025
Súplica a Sri Yoga Devi
Participação : Inacio A. Martins (Acharya Instrutor, Devadevi Pavana Dasa)
Mangala Gayatri
Produtor: Anderson Arantes ( Sadyogi Dasa )
sexta-feira, 7 de março de 2025
A HUMANIDADE PRIMITIVA ATUAL*
Queridos,
Postarei aqui uma dose mínima (só um deguste) do que teremos
em nosso site oficial do Ashram Sarva Mangalam, que está em nutrição e em breve
estará disponível para todos !!!!!
Escolhi para esta prévia, este texto magnífico do
"Jnana Dhata Suddhacharya", Sri Vájera Yogue Dasa, nosso Mestre
Iniciador.....
Espero que disfrutem de forma amorosa, lembrando sempre que
estes estudos, foram realizados nas primeiras décadas do século
passado...portanto merecem interpretações considerando o tempo, o lugar e todas
as limitações da época.
Boa leitura a todos(as) !
Devimarga Dasika,
(JDA)
A HUMANIDADE PRIMITIVA ATUAL*
Benjamín Guzmán Valenzuela
Si Vájera Yogui Dasa
Jnana Dhata Suddhacharya,
Aquele que ama tudo, não pode odiar nada, e quem não odeia
nada já deu um grande passo para alcançar a felicidade. Felicidade que buscamos
por todos os meios que acreditamos nos conduzir a essa bem-aventurança, que às
vezes conseguimos tocar sem poder retê-la e que sempre parece se afastar mais e
mais, quanto maiores são nossos desejos. Mas quem não deseja nada? É possível
não desejar nada? Matar o desejo? Não!
Acredito que isso não seja possível, mas sim que é lógico
selecioná-los, separar os bons dos maus, pois os maus podem ser eliminados,
vencidos. Podemos ir deixando em nossa mente apenas pensamentos elevados e
sublimes de felicidade, de paz, de amor – para nossa família, nossa pátria,
nossa humanidade – e ainda ir além, respeitando o animal, o pássaro, a flor...
Pois quanto mais bela e feliz for a humanidade como um todo, mais felizes
seremos nós, que amamos a felicidade.
Todo desejo ou ideal que busca trazer felicidade, paz ou
amor ajudará a eliminar a inveja – essa que muitos deixam crescer e se
alimentar do egoísmo, que os envenena sem que, em sua ignorância, façam algo
para se livrar desses rivais internos que os impedem de desfrutar da felicidade
dos outros.
Para muitos, pode parecer estranho sentir alegria pela
felicidade dos outros, mas, na verdade, isso é algo completamente natural.
Basta amá-los, desejar-lhes o bem. Se alguém tem felicidade – seja ela
econômica, física ou intelectual –, que isso seja para aqueles que amam a
bem-aventurança um motivo de júbilo. E se virmos alguém em desgraça, alguém
sofrendo, façamos o que estiver ao nosso alcance para aliviar ou eliminar esse
sofrimento. Nossos esforços serão recompensados com a satisfação da nossa consciência.
Sim, é na nossa consciência que receberemos nossa
recompensa, e ninguém poderá tirá-la de nós, porque nós somos os doadores e os
recebedores. Sentir-nos-emos mais felizes à medida que experimentarmos mais
alegrias em nossa consciência, que se tornará mais ampla à medida que nela
guardarmos sensações mais puras e elevadas.
Ao falar de consciência, não há dúvida de que uns
compreenderão mais e outros menos, conforme suas experiências ou conhecimentos
adquiridos pelo estudo, pela meditação ou por outros meios. Mas ninguém ousaria
pensar de si mesmo que é um inconsciente diante de todos os fatos humanos.
Não há dúvida de que quanto mais instrução e conhecimento
tivermos, melhor compreenderemos as leis humanas. Por isso, não há motivo para
não estudar e investigar as causas da dor e da felicidade.
Aqueles que se perguntam sobre o caminho a seguir para
alcançar uma felicidade segura e completa podem estudar os que mais se
aprofundaram nesse assunto e que deixaram seus ensinamentos sobre esse grande e
essencial problema. Mas antes, devemos estudar os povos, analisar os homens por
seus traços gerais, aceitos hoje por toda pessoa de ciência.
A Humanidade Primitiva Atual
Este título pode parecer contraditório e ilógico para
muitos, mas será compreendido ao se ler o que exponho a seguir.
Digo Humanidade Primitiva Atual porque farei um pequeno
resumo e comparação entre as formas de pensar e de enxergar a vida dos povos
que, em nossa era, ainda vivem e pensam como nossa raça vivia há milhares de
anos. E isso está cada vez mais documentado pelos mais recentes descobrimentos
arqueológicos, resultado dos grandes trabalhos de escavação realizados pela
Mission Scientifique da França, assim como por investigações inglesas e alemãs
nos solos do Egito, da Pérsia, da Índia, da Austrália etc.
A Religião Primitiva
A partir do resumo desses dados, podemos extrair a religião
primitiva, ou seja, a religião que existiu entre a época Terciária e a
Quaternária, que, em essência, é idêntica em todas as religiões, conforme
demonstram os estudos comparativos históricos e científicos sobre os
monumentos, cavernas repletas de desenhos e pinturas, bem como a posição dos
cadáveres encontrados adornados com colares, amuletos, fetiches etc.
Segundo os símbolos gravados nesses objetos, acreditava-se
que possuíam qualidades espirituais ou mágicas, demonstrando uma crença em um
mundo superior. O mesmo padrão pode ser observado, por analogia, em povos
indígenas da Austrália, África, os araucanos e muitas outras comunidades que
ainda se encontram no nível dos homens primitivos.
Até hoje, não existe e nunca foi encontrado um povo ou raça
que não possua a ideia ou fé em um poder consciente e criador do Universo,
secundado por legiões de forças benéficas ou malignas, que ajudam no grande
plano do Primeiro Poder.
Na África, por exemplo, o médico e o adivinho geralmente
desempenham o mesmo papel, pois acredita-se que todo mal vem de uma alma
ofendida, à qual são oferecidos sacrifícios, oferendas e rituais mágicos.
Por exemplo, é comum ver, nas costas sudoeste da África, o
Ngangga mielongo ou médico realizar a seguinte cerimônia para curar um paciente
com dor localizada:
Ele esculpe uma figura representativa do doente e a submete
a uma série de cerimônias mágicas.
Depois, coloca na boca um pedaço de madeira ou um pequeno
objeto e começa a sugar o boneco na parte correspondente à área afetada do
paciente.
Em seguida, ele cospe a madeira no fogo, onde o
"espírito do mal" é queimado e, assim, afastado do paciente.
Se a pessoa se sente aliviada, a cura foi bem-sucedida. Caso
contrário, significa que não é digna de ser curada e deve aceitar o castigo.
Os gris-gris africanos – objetos usados como talismãs contra
espíritos malignos – passam por uma série de cerimônias magnéticas, que os
colocam em uma condição vibratória capaz de afastar entidades negativas e
atrair as positivas. Entre os objetos mais comuns estão conchas nacaradas,
cabeças de serpentes e garras de animais ferozes. As serpentes, em particular,
recebem um culto especial. Em Weida (Dahomey), existe até um templo repleto de
cobras sagradas.
Isso não significa que os africanos adorem a matéria, mas
sim que veneram o espírito ou entidade que foi ligado ao objeto.
Para maior clareza, transcrevo aqui um relato do R.V. Padre
Bandin sobre a morte de um feiticeiro:
"Nas costas dos Escravos, ao falecer um grande
feiticeiro, todos os seus fetiches foram retirados de sua cabana como se fossem
meros objetos inúteis. Perguntei aos negros por que os desprezavam daquela
forma, e me responderam que os deuses já não estavam ali, pois haviam partido
com seu servidor falecido."
Isso mostra que o feiticeiro tem o poder de influenciar a
matéria, tornando-a um canal de conexão com forças espirituais.
Na realidade, essa prática ainda é realizada em todas as
religiões, mas sob nomes diferentes, como bênção ou consagração de estátuas,
imagens, cruzes ou outros objetos considerados sacramentais.
Da mesma forma, cada religião possui seus próprios signos
religiosos, representando forças espirituais de acordo com a intenção da
oração.
Por exemplo:
O deus Chatala, deus da luz, recebe orações diante de um
tabuleiro branco, pois essa é sua representação simbólica.
Oke, deus das montanhas, é representado por uma pedra.
Ogún, o ferreiro divino, é simbolizado por um pedaço de
ferro.
Isso não tem nada de ridículo, como algumas seitas
religiosas modernas tentam fazer parecer. Afinal, até no Cristianismo, são
aceitos símbolos como a cruz, o peixe, o cordeiro e o pombo, representando
estados espirituais.
Crença na Reencarnação
É uma crença comum entre os povos africanos que as almas,
após desencarnarem, voltam a nascer novamente. O R.P. Baudin relata o caso de
uma mãe que tratava seu filho com extremo carinho e se submetia a todos os seus
caprichos porque o feiticeiro havia declarado que o recém-nascido era seu avô
reencarnado. O Dr. Barret, em seu livro "África Ocidental", menciona
um caso ocorrido em Porto Novo:
"Certo dia, falava-se sobre um mago que havia morrido
em uma guerra e que, segundo diziam, acabava de renascer. O bebê possuía uma
marca acidental na testa, que foi considerada como a cicatriz da bala que o
matou na vida passada. A mãe afirmava que aquele bebê era seu falecido marido,
que havia retornado ao lar na pessoa de seu filho."
Poderia citar muitos outros exemplos relatados por geólogos,
historiadores e missionários, mas o essencial é que toda a África acredita
firmemente em um Deus supremo e na reencarnação da alma.
Digo "um Deus supremo" para esclarecer que os
africanos não são politeístas ou idólatras, como muitos pensam, mas sim que
reverenciam um ser supremo, pai e criador de seus filhos espirituais e das
diversas manifestações no plano físico.
Esse ser supremo recebe diferentes nomes em diversas
regiões:
Jonkina nas Costas do Ouro,
Olorun entre os Yorubás,
Tsuikoab entre os Hotentotes,
Ngadzi em Zanguebar, onde ele se comunica com seus iniciados
através do som de uma flauta sagrada.
Muitas vezes, os povos africanos são julgados erroneamente
como idólatras, e considerados separados da verdade. Isso ocorre, talvez, pela
falta de conhecimento comparativo entre religiões ou pela ignorância sobre o
idioma e o significado espiritual de seus ritos e palavras.
A Escolha do Feiticeiro
Vale destacar que, entre os negros, sobretudo os do Gabão,
existem classes sociais bem definidas. Aqueles que ocupam a classe mais alta
são os escolhidos para desempenhar o papel de feiticeiros. A seleção ocorre
entre crianças de sete a dez anos, que são educadas e treinadas de forma
especial para desenvolver suas habilidades espirituais.
Na revista francesa "Coloniale", é detalhada a
última cerimônia à qual um aspirante a feiticeiro é submetido. Em primeiro lugar, o aspirante é banhado com
uma infusão feita de cento e uma plantas diferentes. Em seguida, ele tem o
corpo envolto com uma faixa de palmeira jovem, e então, junto aos feiticeiros,
segue em procissão ao redor do bosque sagrado. Neste momento, acontece a
cerimônia principal: trata-se de descobrir se o Mestre aceita ou não o ministro
que lhe é oferecido.
Aquí está como ocorre a consulta:
O menino é sentado em um banco fetiche.
Os feiticeiros lavam sua cabeça novamente com a decocção de
ervas e invocam, em alta voz, o fetiche ou mestre.
O chamado é repetido três vezes, enquanto os feiticeiros
dançam e saltam ao redor do neófito, ao som ensurdecedor de tambores e
instrumentos metálicos.
Quanto mais estrondoso o barulho, mais solene é a festa,
segundo a crença dos negros.
Pouco a pouco, o aspirante começa a demonstrar sinais de
possessão espiritual:
Seu corpo treme,
Seu olhar fica perdido,
Ele entra em um estado de excitação intensa, a ponto de ser
necessário segurá-lo para evitar que se machuque ou cause danos a outros.
Nesse momento, todos os presentes aclamam o fetiche,
gritando de alegria:
"Oricha oh! É o fetiche! Orichagun oh! Ele está
possuído pelo fetiche!"
Após horas de barulho e frenesi, o objeto fetiche que esteve
em contato com o iniciado é retirado. Aos poucos, ele recupera a consciência,
saindo do estado de transe ou hipnose, para, finalmente, cair no abatimento.
Essas cerimônias são sempre acompanhadas de grandes
sacrifícios – tanto de animais quanto humanos –, onde o sangue é bebido junto
com licores fortíssimos.
Das Tradições Africanas às Americanas: Os Povos Indígenas
Agora, saindo da África e indo para a América, continuemos
nosso estudo. Vejamos, por exemplo, os Peles-Vermelhas. Eles acreditam no
Grande Sopro ou Grande Manitú, que dá vida e sustenta os manitús ou espíritos
que habitam a natureza.
Esses espíritos são reverenciados como seres extremamente
poderosos e vingativos, responsáveis por:
Criar as flores e as árvores,
Fazer correr os rios,
Acender as estrelas no céu.
Mas, por serem vingativos, não perdoam qualquer ofensa feita
a eles ou às suas criações. A única forma de obter perdão é se a ofensa for
cometida inconscientemente. Por isso, antes de irem para a guerra, os indígenas
realizam grandes cerimônias com consumo excessivo de bebidas alcoólicas, pois
acreditam que os danos causados sob efeito da bebida são responsabilidade do
espírito do álcool.
Os Caribes, das Antilhas e das costas americanas, quando
foram descobertos, acreditavam que cada indivíduo possuía um espírito protetor,
chamado Chemi, que o guiava na luta diária.
Para eles, a alma humana era dividida em três partes:
A alma dos braços (ligada à força física),
A alma da cabeça (ligada à inteligência),
A alma do coração (Poyé, a única que sobrevive após a
morte).
No Brasil, entre os Botocudos, acredita-se no Espírito
Primeiro, chamado Tupã, que comanda uma hierarquia de espíritos superiores,
como:
Yurupari,
Gurupiras,
Apoyacues, entre outros.
Nas ilhas da Polinésia, acredita-se na existência de um anjo
guardião, chamado Tiki, além de divindades naturais representadas pelo Sol, as
estrelas, os rios e as fontes. Essas divindades são chamadas Atuas, mas, acima
delas, está o Grande Tiki, que governa todas as forças espirituais.
Os Samoanos acreditam que enterrar um cadáver sem cerimônia
fúnebre é o pior castigo que se pode dar a uma alma.
Na Micronésia, o culto aos mortos é considerado um dos mais
benéficos, razão pela qual guardam os crânios de seus ancestrais, pois
acreditam que neles reside a alma.
Na Austrália, há a adoração de um Grande Deus, seguido por
uma corte de divindades inferiores.
Em Madagascar, os nativos acreditam que possuem duas almas:
Saina, a alma mortal,
Matoatoa, a alma imortal.
Já nas regiões geladas da Finlândia, encontramos a fé no
Grande Pai dos Deuses, cercado por uma corte de divindades chamadas Haltias e
Tadebeyos, que determinam as felicidades e dores da vida.
Eles acreditam que são essas divindades que:
Criam as sementes das árvores,
Dão vida aos filhos das mães,
Guiam os instintos dos animais.
E assim poderíamos continuar nosso estudo sobre os poucos
povos que ainda vivem isolados da civilização moderna, sem serem afetados pelo
ruído ensurdecedor do progresso.
A Religião e a Busca pela Verdade
Ao longo dos séculos, todas as civilizações da África, Ásia,
Europa e América foram gradualmente transcrevendo seus sentimentos espirituais
em livros e escrituras sagradas.
Entretanto, essas escrituras acabaram dogmatizando e
limitando a inspiração infinita do espírito humano.
Não precisamos de livros para conhecer Deus. Basta olharmos
para a perfeita ordem da Arquitetura Cósmica, que sempre indicará a existência
de um Construtor infinitamente sábio que a criou. Os livros são apenas
registros intelectuais, fragmentos retirados por diferentes indivíduos do vasto
oceano das maravilhas criadas.
O Senhor da Criação falará a cada um conforme sua capacidade
de ouvir, sem se restringir aos limites da palavra humana, pois muitos
sentimentos internos não podem ser expressos nem por palavras, nem por gestos
ou símbolos.
Se já é difícil ou até impossível registrar a voz divina nos
limitados caracteres de um alfabeto, muito menos podemos tentar engaiolá-la em
um único livro.
No entanto, a Sua voz pode ser ouvida dentro da paz e da
tranquilidade da nossa consciência, sem limitações de qualquer espécie. E
sempre a ouviremos, até onde nossa capacidade permitir. Se não conseguirmos
compreendê-la claramente, não seremos condenados por isso, pois o Sábio conhece
a nossa pequenez e nos ajudará enquanto precisarmos de auxílio. Ele não nos
imporá obstáculos ou maldições em nossa busca por uma vida superior. Assim,
aprenderemos a reconhecer Sua voz em nós mesmos, na humanidade e na criação.
Essa voz divina, quando passa pelos povos primitivos e incultos, é expressada
de maneira selvagem. Mas, quando passa pelos sábios iniciados, é expressada com
sabedoria. Porém, em essência, é sempre a mesma voz superior, a voz do Eterno
Amor e da Paz, conduzindo a humanidade em harmonia com as leis cósmicas e o
grande ritmo da evolução do espírito.
*Tradução feita a partir do texto original em espanhol por
Kalamata Dasika (Marina Elisa), Servidora no Ashram Sarva Mangalam de São
Paulo.
LA HUMANIDAD PRIMITIVA ACTUAL
Benjamín Guzmán Valenzuela
El que lo ama Todo, no puede odiar nada y el que nada odia
ya tiene dado un gran paso para llegar a la felicidad; felicidad que buscamos
por todos los medios que creemos nos conducen a esa Dicha que a veces
alcanzamos a rozar sin poderla detener y que siempre la vemos alejarse más y
más, cuanto mayores son nuestros deseos.
¿Pero quién no desea nada? ¿Es posible no desear nada?
¿Matar el deseo? ¡No!
Creo que no es posible, pero sí que es lógico
seleccionarlos, apartar los buenos de los malos, que los podemos aniquilar,
vencer e ir dejando en nuestra mente pensamientos elevados y sublimes de
felicidad, de paz, de amor, para nuestra familia, patria, humanidad y aún
avanzar más respetando el animal, el ave, la flor…. Pues cuanto más bella y
feliz sea la humanidad toda, la creación, tanto más felices estaremos nosotros
los que amamos la felicidad.
Todo deseo o ideal que tienda a hacer feliz o a dar paz o
Amor, irá matando la envidia que muchos dejan crecer y alimentarse con el
egoísmo que los envenena, sin que hagan nada en su ignorancia por concluir con
estos rivales que no los dejan gozar con la felicidad de los demás.
Extraño será para muchos esto de gozar con la felicidad de
otros y sin embargo es tan natural, solo se necesita amarlos, querer su bien,
que si alguno tiene felicidad ya sea económica, física, intelectual, sea para
los que amamos, la dicha, un motivo de gozo, y si vemos alguna desgracia, algún
sufrimiento, tratemos lo que nos sea posible de aliviarlo o de suprimirlo,
quedando nuestros esfuerzos altamente recompensados con la satisfacción de
nuestra conciencia.
Si, en nuestra conciencia es donde recibiremos nuestro pago,
que nadie podrá quitarnos porque nosotros somos los donantes y los recibidores
y nos iremos sintiendo más felices a medida que recibamos más placeres en
nuestra conciencia que se ira haciendo mucho más amplia al guardar en ella
mejores y más puras satisfacciones.
También al decir conciencia no hay duda que unos trataran
más y otros menos, según hayan sido sus experiencias o conocimientos adquiridos
por el estudio, la meditación o por cualquier otro sistema; pero nadie se
atreverá a pensar de si mismo que es un inconsciente para todos los hechos
Humanos.
No habiendo duda que cuanto más instrucción o conocimiento
tengamos, mejor podremos comprender las leyes humanas, así es que, no hay
porque no estudiar y escudriñar las causas del dolor y de la felicidad.
Los que preguntan sobre este sentido, sobre que conducta o
que sendero se debe seguir para llega a una segura y completa dicha; pueden
estudiar a los que más han profundizado y dado sus enseñanzas sobre este
primordial y grandioso problema.
Pero antes estudiaremos los pueblos, analicemos los hombres
por sus rasgos generales aceptados hoy por todo hombre de ciencia.
La Humanidad Primitiva Actual.
Este título que parecerá a muchos contrario e ilógico se
comprenderá cuando se hayan leído lo que a continuación expongo:
Digo Humanidad Primitiva Actual, porque voy a hacer un
pequeño resumen y comparación en la forma de pensar y de contemplar la vida por
los pueblos que en nuestra actual época viven y piensan como nuestra raza vivió
hace miles de años y cuya historia cada vez más completa por los últimos
descubrimientos sacados de los grandes trabajos de excavación arqueológicas
hechas por la “Mission Scientifique” de Francia como los de igual índole
inglesa y alemana en los suelos de Egipto, Persia, India, Australia, etc.
Así que del resumen de estos datos, podemos extractar la
religión primitiva, es decir, la religión comprendida entre la época Terciaria
a la Cuaternaria que es en el fondo igual e idéntica en todas las religiones,
según se comprueba por los estudios comparados históricos y científicos del
exámen de los monumentos, cavernas llenas de dibujos y pinturas, lo mismo que
la posición o colocación de los cadáveres, con collares, amuletos, fetiches,
etc. Que según los signos en ellos grabados, debían tener cualidades
espirituales o mágicas, demostrando la creencia en un mundo superior, lo mismo
que actualmente podemos ver por analogía en los salvajes de Australia, África,
araucanos, y muchos otros pueblos que todavía se hayan al nivel de los hombres
primitivos.
Hasta ahora no existe y no se ha encontrado pueblo o raza
que no tenga la idea o fe en un poder consciente y creador del Universo,
secundado por legiones de fuerzas benéficas o malignas, que ayudan al gran plan
del Primer Poder.
En África el médico y el adivino generalmente desempeñan el
mismo oficio, pues tienen la creencia que todo mal proviene de un alma ofendida
a la cual se le ofrece toda clase de ofrendas y conjuros.
Por ejemplo es frecuente ver en las costas S.O. del África
al Ngangga mielongo o médico llevar a efecto la siguiente ceremonia para sanar
de algún dolor local a un paciente.
“Hace una figura representativa del enfermo a la cual le
hace pasar por una serie de ceremonias de magia, después de lo cual el médico
se echa a la boca un pedazo de madera o algún objeto pequeño y chupa el muñeco
en la parte que corresponde al mal que se desea sanar, después escupe el pedazo
de madera al fuego donde se quema el espíritu del mal que ha sido atraído a la
madera, por el poder del brujo médico se aleja y abandona al enfermo, que debido tal vez a la sugestión de la ceremonia
se siente aliviado. En caso contrario
quiere decir que no es digno de ser sanado y hay que conformarse con el
castigo”
Los grisgrís africanos u objetos preservativos de los
espíritus perversos pasan por una serie de ceremonias magnéticas que los ponen
en una condición vibratoria que aleja a las malas entidades y atrae a las
buenas sirviendo para este objeto nacaradas conchas, cabezas de serpientes,
garras de fiera; sobretodo a las serpientes se les da un especial culto
existiendo en Weida (Dahomey) un templo lleno de culebras sagradas.
Esto no quiere decir que el africano adore la materia, sino
que el espíritu o entidad que ha sido ligado al objeto.
Para mayor claridad transcribo aquí como relata el R.V.
Padre Bandin la muerte de un fetichero
En las costas de los
esclavos, dice:”Habiendo muerto nuestro vecino el Gran Fetichero, fueron
retirados de su cabaña todos sus fetiches como otros tantos objetos ya
inútiles. Pregunte a los negros porque los despreciaban de tal modo y me
afirmaron que ya no estaban los dioses, pues se habían ido con su servidor
difunto”
Como se comprende el Fetichero es un individuo que tiene el
poder de influir sobre la materia para hacerla atrayente a las fuerzas
suprafísicas.
Todo esto se hace y se practica hoy día por todas las
religiones con el nombre de Bendición o consagración de estatuas, imágenes,
cruces o cualquier otro objeto según ellos sacramental.
Así ellos tienen también sus signos religiosos
correspondiente a ideas de fuerzas espirituales en una u otra modalidad según
sea el sentido a que va dirigida la plegaria, representando a sus divinidades
según el signo que les corresponde.
Por ejemplo el al Dios Chatala, dios de laluz, se les hacen
sus oraciones ante un tablero blanco, que es el signo que le corresponde. Oke, dios de las montañas es representado por
una piedra, Ogún el vulcano negro, por un pedazo de hierro.
Esto no tiene nada de ridículo como algunos sectarios de
nuestras religiones modernas, pretenden hacerlas aparecer, pues aún en el
cristianismo, son aceptadas las figuras de una cruz, un pez, el cordero, el
pichón como signos representativos de estados espirituales.
Es creencia general entre los negros, que las almas una vez
desencarnadas vuelven de nuevo a repetir sus nacimientos.
El R.P. Baudin relata el caso de una madre que trataba a su
hijo con sumo cariño, y hasta se sometía a sus caprichos, porque el Fetichero
había declarado que el recién nacido era el abuelo de la madre.
El Dr. Barret, en su libro “Afrique Occidentale” dice:”Un
día residiendo yo en el Porto Novo, hablose de un mago, muerto en la guerra y
que, según decían acababa de nacer otra vez.
El niño llevaba en la frente una marca accidental, que fue declarada
proceder de la bala que lo mató; la madre afirmaba, que era su difunto marido
que reaparecía en el hogar en la persona de su hijo”
Puedo citar muchos otros ejemplos, relatados por geólogos,
historiadores o misioneros, pero baste decir que de éstos estudios se desprende
que toda el África cree positivamente en un dios superior y en un alma que
muere y vuelve a renacer.
Digo en un Dios superior para constatar que no son los
negros salvajes, una raza que adore muchos dioses, sino que reverencian a un
ser supremo, padre y formador de sus hijos espirituales, como de las diversas
manifestaciones en el plano físico.
Siendo este ser supremo, designado en las costas de oro con
el nombre de Jonkina; Oloron por los Yorubas; el gran espíritu de los
Hetentotes es Tsuikoab, o en Zanguebar el Gran Ngadzi que se comunica a sus
iniciados por el sonido de su flauta sagrada.
Se equivocan casi siempre los que juzgan a estos
pueblos, como idolatras, y enteramente separados de la verdad; debido
tal vez a la falta de comparaciones religiosas o a la ignorancia del idioma y
significado que envuelven sus ritos y palabras en el sentido del alma.
También conviene advertir que entre los negros sobre todo en
los del Gabon, existen clases sociales, siendo de la más alta clase social de
donde se escoge la persona destinada a desempeñar el oficio de Fetichero,
teniendo dicha persona de siete a diez años, al que se le educa y dirige en
forma especial.
En la revista “Coloniale francesa”, se detalla la forma de
la última ceremonia a que se somete al aspirante:
“En primer lugar se
le baña en un agua en que se han hecho hervir ciento una plantas
diferentes. Se le ciñe el cuerpo con una
cintura de palma tierna, y se sigue con los feticheros una procesión en torno
al bosquecillo sagrado, entonces se verifica la ceremonia principal. Se trata de saber si el Maestro acepta o no,
el ministro que le proponen. He aquí
como se le consulta. El niño se sienta en un banco fetiche, los feticheros le
lavan la cabeza de nuevo con la decocción de yerbas y llaman en alta voz al
fetiche o maestro, tres veces renuevan su llamamiento, y al mismo tiempo danzan
y brincan en torno al neófito, mientras tambores y herrajes de toda suerte
hacen un ruido ensordecedor, porque los negros mientras más infernal es el
estruendo, más solemne es la fiesta.
Poco a poco el aspirante que ha de mostrar a todos que el
espíritu le invade, empieza a estremecerse, su cuerpo tiembla, su mirada se
extravía y no tarda en excitarse de tal manera, que a menudo hay que sujetarlo
para impedir que se lastime o cause daño a los demás. Entonces todas las personas presentes aclaman
al fetice dando gritos de alegría, ¡Oricha oh!
¡Es el fetiche! ¡Orichagun Oh! Está poseído del fetiche”
Después de algunas horas de estruendo y frenesí retiran el
objeto fetiche puesto en contacto con el agitado, que recobra poco a poco los
sentidos, cesa su estado de furor o de hipnosis para ceder el puesto al
abatimiento.
Siempre estas fiestas y otras similares, son acompañadas de
grandes sacrificios, de animales y humanos donde la sangre se bebe junto con
los licores más espirituosos y fuertes, que es dable concebir.-
Pasemos del África a la América y sigamos nuestro estudio,
veamos por ejemplo a los pieles rojas.
Ellos creen en el gran Soplo o gran Manitú que da vida y
mantiene a los Manitus o espíritus que habitan en la naturaleza.
Reverencian a éstos soplos como a seres muy poderosos y
vengativos, encargados de formar las flores y los árboles, hacer correr los
ríos y encender las estrellas. Pero son
vengativos porque no perdonan ninguna palabra ni ningún perjuicio que sea
dirigido a ellos o a sus obras.
Únicamente son dignos de perdón cuando han hecho la
inconscientemente, así es que por esto sus guerrillas o luchas son siempre
preparadas con grandes libaciones de bebidas alcohólicas y los daños causados
de esta manera es responsable el espíritu del licor.
Los Carbes de las Antillas y de las costas Americanas creían
cuando se les descubrió en que cada individuo tenía otro espiritual denominado por ellos Chemi; que
los guiaba en la lucha diaria y el alma humana la dividían en tres categorías:
la de los brazos, la de la cabeza y la del corazón.
Al morir un ser, ellos creen que el alma muscular se
concluye, junto con el alma cerebral, para quedar únicamente el Poyé, o el alma
del corazón.
Penetramos al interior de América, al centro de los vírgenes
bosques del Brasil, e interroguemos a la tribu de los Botocudos, llamados así
por los botoques o discos que se ensartan en las orejas y nos contestaron que
el Espíritu Primero, se llama Tupán y dirige a los espíritus superiores
llamados Yurupari, Gurupiras, Apoyacues, etc.
En las Islas de Oceanía, en la Polinesia, se cree en un
ángel custodio o Tiki y en divinidades naturales cuyos símbolos son el Sol, las
estrellas, los ríos, las fuentes; divinidades llamadas Atuas, sin quitar por
esto que el gran Tiki gobierna a todas las divinidades.
Los Samoanos consideran que enterrar un cadáver sin haberle
hecho ceremonias de difuntos, es el castigo peor que se le puede dar a un alma.
El culto a los muertos en la Micronesia, es considerado como
uno de los más benéficos, por lo cual guardan los cráneos de los antepasados,
donde según ellos reside el alma.
En Australia adoran al gran Dios, seguido de su corte de
divinidades inferiores.
En Madagascar, los indígenas se creen dotados de dos almas:
Saina (alma mortal) y Matoatoa (alma inmortal).
Ahora pasando a las heladas regiones de Finlandia, volvemos
a encontrar la fé en el Gran Padre de los Dioses, rodeado de su cohorte de
dioses llamados Haltias y Tadebeyos, y son los contribuyentes en las
felicidades o dolores de la vida, siendo ellos los que forman las semillas de
los árboles, dan vida al hijo de la madre y guían al animal en sus instintos.
Y así podemos ir estudiando los pocos pueblos, que quedan
sin que haya llegado hasta ellos el ensordecedor estruendo de la moderna
civilización, a turbar la plácida quietud de sus vidas.
Toda el África, el Asia, Europa o la América civilizada, ha
ido recapitulando con el lento rodar de los siglos este grito espiritual
interno e inmenso de toda una creación, en libros o en escrituras, que muchas
de ellas bajo el título de sagradas, dogmatizan y sofocan la inspiración
ilimitada del genio humano.
No tenemos necesidad de libros para conocer a Dios, para eso
tenemos el orden perfecto de la Arquitectura Cósmica, que siempre indicará al
constructor infinitamente sabio que lo formó.
Los libros solo sirven como ilustraciones intelectuales,
sacadas por uno u otro ser del océano de las maravillas creadas. El Señor de
la creación, nos hablará a cada uno según su nota, sin ceñirse para ello
a una pauta limitada y estrecha, como es la palabra humana para dar su
sabiduría, pues hay muchos sentimientos internos que no se pueden comunicar por
la palabra ni ayudada por la acción o el signo.
Cuanto más difícil o imposible será entonces grabar su divina voz con
los limitados caracteres de un alfabeto.
Pero Su palabra, se hará oír en la paz y en la tranquilidad
de nuestra conciencia, sin limitación de ninguna especie, la oiremos siempre,
hasta donde seamos capaces de escucharla.
Y si no podemos entenderla claramente, no nos condenará, pues bien sabe
el sabio lo poco que aún somos y nos ayudará mientras necesitemos de auxilio,
sin ponernos estorbos ni maldiciones en nuestra realización de una vida
superior.
Así iremos comprendiendo más y más Su voz en nosotros
mismos, en la humanidad, en la creación, voz divina, que al pasar por los
pueblos primitivos e incultos, por las almas salvajes, es demostrada por ellos
salvajemente, lo mismo que el sabio iniciado la muestra con sabiduría, pero
siempre es la misma voz superior, de Paz y Amor Eterno, para que así marche en
armonía, con las leyes Cósmicas el gran ritmo de la evolución del espíritu.