sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Krishna Janmashtami

 




Nascimento, Vida, Disciplina e Morte do Sr. Krishna

 

Por: Margareth Gonçalves ( Devimarga Dasika)
Jnana Dhata Acharya do SDM

 

 

 

A figura central do Bhagavad Gita é Krishna.

 

 Os hinduístas adoram várias encarnações de D’eus, como instrutores que de tempo em tempo aparecem segundo as necessidades do mundo para manter a justiça e destruir a maldade.

 

Assim cada caminho hinduísta adora a uma destas manifestações da Divindade e Krishna é quem tem maior número de devotos, porque dizem que Ele é superior aos demais, pois enquanto manifestado possuía 50% da energia de Narayana, sendo então um Maha Avatar.

 

O Senhor Krishna durante toda a sua vida praticou os admiráveis ensinamentos que predicava, e assim dizia: “Conhece o segredo da vida quem em meio da maior atividade produz a mais doce paz, e é ativo em meio da mais profunda calma”.

 

Ensinava que para chegar a ação, é necessário a não ação e a não ação na ação; ou seja, a calma na atividade e a atividade em calma, é necessário não se apegar e nem se identificar com nada externo e trabalhar sem apego ao fruto da ação, porque a aflição não provém das obras, e sim do apego ao fruto dessas mesmas ações.

 

 Assim devemos considerar o dinheiro, a fama, a família, como meios do propósito para cumprirmos nosso dever, mas não como absolutos fins da vida.

 

Unicamente temos que nos apegar por devoção ao Senhor. Trabalhemos pela família, amemos a ela, sacrifiquemo-nos cem vidas se necessário for, mas não nos identifiquemos com ela.

 

A vida de Krishna foi exatamente o exemplo desses ensinamentos. Em um livro que relata a vida de Krishna nos conta com milhões de anos de antiguidade e em algumas passagens oferece assombrosa semelhança com outros da vida de Jesus de Nazareth.

 

 

 

Krishna era de fina estirpe, e estava profetizado que um descendente daquela família seria rei de madura, cujo trono ocupava o tirano Kamsa, e ao enterrar-se de que havia nascido um filho no seio da família profetizada e não sabendo o ponto fixo de seu nascimento, ordenou a matança de todos os filhos recém-nascidos.

 

Quando nasceu Krishna, um ponto de luz celestial iluminou o lugar, e segundo conta a divina lenda, o recém-nascido exclamou: “SOU A LUZ DO MUNDO E NASÇO PARA O BEM DE TODOS OS HOMENS”.

 

 Os sábios afirmaram que D’eus havia nascido, e foram se render a Ele, homenageando-O, como também aconteceu aos magos que adoraram o menino Jesus de Belém. Por fim venceu Krishna ao tirano Kamsa, mas não quis ocupar seu trono, porque dizia que não era deste mundo seu reino.

 

Havia cumprido seu dever e lhe bastava seu cumprimento.

 

Os ensinamentos deste grande instrutor denotam que sua tônica fundamental, seu motivo condutor é a renúncia, o desapaixona mento, o desapego, mas não a indiferença, que é muito diferente e sem valor espiritual.

 

 Ensina Krishna que o genuíno amor somente é devido ao imutável Ser, ou seja, à D’eus.

 

Não temos de cometer enganos de colocar nosso amor, nosso afeto nas coisas mundanas e temporais, porque a inevitável queda desses afetos nos causaria aflição.

 

D’eus é o único Ser imutável, e seu amor nunca falha, porque, seja lá o que formos, ou seja lá o que fazemos, Ele sempre nos olha com misericordioso amor, sem cólera, sem nojo, porque sabe que caminhamos para a perfeição.

 

 Já nos diz a filosofia vedantina, que o amor que a mãe reconhece em seu filho, e o amor que ela reconhece em seu marido, é simplesmente o amor de D’eus refletido neles.

 

Tal é a persistente tônica desses ensinamentos de Krishna, que Ele comunicou ao seu povo, que quando um hinduísta faz qualquer coisa, como por exemplo beber água, ele diz: “se há virtude nisto, que retorne ao Senhor”.

 

O hinduísta crê firmemente em D’eus, e o considera a alma de todas as almas, e como magno sacrifício lhe oferece todos os seus merecimentos ao bem da humanidade.

 

 Por outra parte, disse Krishna: “Quem vive no meio do mundo e oferece ao Senhor suas ações, nunca se contamina com os males do mundo, assim é o homem que se mescla nas atividades do mundo, oferece ao Senhor o fruto de suas ações.

 

 

 

De todos estes ensinamentos inferimos que todo dever é sagrado. Não há no mundo dever algum a que possamos em justiça qualificar de servil; todo trabalho é tão meritório como o imperador em seu trono.

 

Os ensinamentos de Krishna são de evidente valor prático, pois nos estimulam a cumprir pacificamente nossos deveres da vida social.

 

 

VIDA DE KRISHNA:
 A virgem DEVAKI, irmã do tirano Kansa, foi escolhida pelos videntes Rishes (sábios), para ser a mulher que iria trazer ao mundo um Deva (ser angelical).

Foi acolhida por Vasichta, guiada até Ele por Mahadeva (o super anjo) onde foi recebida com enorme carinho pois ela tinha deixado o mundo das misérias para viver ao lado dos gloriosos com seus destinos e desejosos do caminho do céu.

Eles lhe disseram: “No seio de uma mulher, o raio do esplendor divino deve receber uma forma humana” .

 Os Rishes presentes, se inclinaram ante DEVAKI e Vasichta disse: “Esta será nossa mãe porque dela nascerá o Espírito que deverá nos regenerar.

Viverá entre as mulheres virtuosas e os mistérios se cumprirão”. Devaki foi então viver entre essas mulheres gloriosas, e uma delas de idade já bem avançada, lhe dava as instruções mais secretas.

 Vivia andando sozinha pelos bosques, vestida como uma rainha, e perfumada pelos místicos aromas das flores. Sempre descansava debaixo das ramas das “árvores da vida”, sendo visitada por visões estranhas.

Ouvia coros que cantavam:
 “Glória a tí Devaki....

 Virá coroado de luz este fluído puro emanado de sua grande alma e as estrelas empalidecerão ante seu esplendor.

Trarás a vida e desafiarás a morte, e Ele rejuvenescerá o sangue de todos os seres....

Virá mais doce que o mel, mais puro que a boca de uma virgem, e todos os corações se sentirão transbordados de amor”.

Um dia Devaki caiu em um êxtase mais profundo...

Ouviu uma música celeste, como um oceano de harpas e de vozes divinas, e de repente o céu se abriu em abismos de luz.

Milhões se seres esplendidos a olhavam e em um raio deslumbrante, o sol dos Sóis, MAHADEVA, lhe apareceu em forma humana. Iluminada pelo Espírito dos Mundos perdeu o conhecimento e no ouvido da terra, em uma felicidade sem limites, concebeu ao filho divino.

 Quando sete luas já tinham se passado, e descritos seus círculos mágicos ao redor da selva sagrada, ela foi chamada pelos mestres que lhe disseram:
 “A vontade dos Devas se cumpriu.... Tu concebeste na pureza do coração, e no amor divino- divina mãe, te saudamos.... Um filho nascerá de ti que será o salvador do mundo.”

Teu irmão Kansa te busca para matar o fruto que levas em teu seio. É necessário escapar à sua perseguição.

 Os irmãos mais velhos irão te guiar até ao pé do monte Meru.

 Ali darás à luz ao teu filho Divino e lhe chamarás KRISHNA, O CONSAGRADO.

 

 Que Ele ignore sua origem e tudo o mais.

Não fales dele nunca.

 Viva sem temor, pois velaremos sobre ti.

Assim então, ela foi morar com os pastores do monte Meru.

 Ao pé desse monte se estendia um fresco vale, dominado por vastos bosques de cedros, por onde passava o sopro puro do Himalaya.

Neste alto vale habitava um povo de pastores, sobre o qual reinava o patriarca NANDA.

Ali Devaki encontrou um refúgio contra as perseguições de seu irmão Kansa; A exceção de Nanda, ninguém supunha quem era a estrangeira e de onde procedia aquele filho.

 As mulheres dali diziam unicamente: “É um filho dos Gandharvas (gênios que se supõem presidirem os casamentos de amor).

 Porque os músicos de Indra devem ter presidido os amores dessa mulher que parece uma ninfa celeste, uma Apsara”(uma Ninfa celestial).

O filho maravilhoso desta mulher desconhecida, cresceu entre os rebanhos e os pastores, ante os olhos de sua mãe.

 O chamavam de “O Radiante”, porque só com sua presença, seu sorriso, e seus olhos, tinha o Dom de difundir a alegria.

Animais, crianças, mulheres, homens, todo o mundo lhe queria e Ele parecia querer a todos, sempre sorrindo a sua mãe, jogando com as ovelhas e com as crianças de sua idade e falando com os anciões.

Krishna criança não tinha temor algum; cheio de audácia executava movimentos surpreendentes.

Às vezes, ia para a floresta e se recostava sobre o musgo, abraçava as jovens panteras e abria-lhes a boca sem que elas se atrevessem a mordê-lo.

 

Tinha também imobilidades repentinas, admirações profundas, tristezas estranhas.

Então se isolava de todos, e pensava, absorto olhava sem responder.

Mas sobre todas as coisas e sobre todos os seres, Krishna adorava a sua jovem mãe, tão bela, tão radiante, que lhe falava do céu e dos Devas, de combates heroicos e de coisas maravilhosas que ela havia aprendido com sua família.

 E os pastores diziam: “Quem é esta mãe, e este filho?

 Nunca se veste como nossas mulheres, parece uma rainha; e o filho também, foi criado com os nossos, mas não se parece com eles......é um gênio? ......... é um D’eus?....... seja o que for, nos traz felicidade.............Quando Krishna tinha quinze anos, sua mãe Devaki foi chamada pelos anacoretas, seu antigo povoado.

 Um dia desapareceu sem dizer adeus a seu filho.

Krishna não a vendo mais, foi procurar o patriarca Nanda e lhe perguntou sobre a mãe.

Nanda nada falou, apenas disse que ela teria feito uma viagem muito longa, e por isso não sabia quando ela voltaria.

Então Krishna caiu em uma meditação tão profunda, que até as crianças se isolaram dele, e dirigindo-se ao monte Meru para obter respostas, lá ficou por semanas.

 Até que em um dia de manhã, de repente apareceu junto dele um ancião, de elevada estatura, vestido com traje branco. Parecia um centenário.

Sua barba de neve e seu rosto brilhavam como uma majestade.

 O jovem e o ancião se olharam por um longo tempo.

 Os olhos do ancião se pousaram com complacência sobre Krishna; este ficou tão maravilhado ao vê-lo, que emudeceu cheio de admiração e mesmo que fosse a primeira vez que via este senhor, lhe parecia que já o conhecia há muito tempo.

Por fim este senhor lhe perguntou, por quem ele estava esperando; e Krishna lhe disse que estava à procura de sua mãe.

 E assim, ele lhe responde simplesmente que sua mãe se encontrava na presença daquele que é imutável.

O menino assustado pergunta então se ela irá voltar um dia; e Ele responde que sim, mas só quando a filha da serpente se render ao filho do touro, assim então Ele poderia voltar a ver sua mãe em uma aurora de púrpura.

 

E lhe diz o seguinte: “Então matarás o touro, e afastarás a cabeça da serpente. Filho de Mahadeva, saiba que eu e tu, formamos mais que um só, face ao Senhor.

Busca, busca, busca, sempre.... e o centenário estendeu a mão em sinal de bendição, se voltou para o lado do Himalaya, e desapareceu em uma vibração luminosa.

 Quando Krishna desceu do monte Meru, desceu totalmente transtornado.

 Uma energia nova parecia irradiar de seu ser.

 Reuniu seus amigos e passaram então a defender os bons, e combater os maus.

Foi atrás dos touros e das serpentes.... lutou contra as bestas ferozes, libertou tribos oprimidas, mesmo assim seu coração permanecia triste, sua alma tinha apenas um desejo oculto, voltar a ver sua mãe e encontrar novamente o ancião.

Queria acima de tudo, arrancar a cabeça da serpente, então resolveu falar com Kalayeni, o rei das serpentes, e pediu para lutar com o mais terrível de seus animais e em presença de um mago negro. Se dizia que aquele animal, adestrado por Kalayeni (o mago negro), havia já devorado centenas de homens e que seu olhar irradiava um espanto aos mais valentes.

Do fundo do templo tenebroso de Kali, Krishna viu sair, junto com a voz de Kalayeni, um enorme réptil azul verdoso.

“Esta serpente, disse Kalayeni, sabe muitas coisas, é um demônio poderoso; ela mata os vencidos., ela está te olhando e está em seu poder.

Somente te resta adorá-la ou perecer em uma luta insensata”.

Krishna ficou indignado, e quis lutar com a serpente, Ele parecia mais a ponta de um raio. Brigou muito com ela, e finalmente a venceu, cortando-lhe a cabeça.

Aquela cabeça ainda viva pergunta a Krishna porque Ele teria feito isto; se Ele achava que matando os vivos, conseguiria encontrar a verdade?

Disse-lhe a serpente que a vida está na morte, e a morte está na vida, e sendo assim morreu.

Então Krishna fez vários Yagnas, (austeridades para purificação) para se limpar das impurezas, lá no rio Ganges, sob a luz do sol de Mahadeva.

 Logo em seguida, Ele volta para a antiga terra natal, e passa a sonhar com combates celestiais no infinito dos céus.

 Passou então a acontecer fatos místicos lindíssimos, como que durante o seu sono, Ele vibrava uma melodia suave e angélica.

 Atraídas pela música as Golpis, as filhas das mulheres do vilarejo, enfim, ficaram enamoradas por ELE.

Algumas se aproximavam dele, o acariciavam, sempre encantadas por sua melodia; e ELE abstraído por seu sono dos D’euses não as via.

 Atraídas mais e mais por seu canto, as Golpis começaram a ficar impacientes, pois Ele não as olhava.

Nichdali, a filha de Nanda, com os olhos fechados, havia caído em uma espécie de êxtase.

Sua irmã Saraswati mais atrevida, se deslizou ao lado do filho de Devaki (Krishna) e lhe disse com carinho: Oh! Krishna... Não vês que te escutamos e que não podemos dormir?

Tuas melodias nos encantaram, Oh! herói adorável... 

 

Aí então Krishna, levantou-se e gentilmente começou a contar para elas várias estórias, lendas, e todas cada vez mais enamoradas do Mestre.... cantou até altas horas da madrugada, e todas continuavam embebidas daquele néctar de amor e sedução que emanava misticamente daquele jovem sábio, que também se embriagava com as expectativas que provocava naquelas inocentes criaturas que já O adoravam.

Passaram a se encontrar todas as noites, sempre com a mesma finalidade, onde o Mestre aproveitou para lhes ensinar seus cantos e dividir com elas cada vez mais seus ensinamentos revestidos de pura magia esotérica e encantamentos divinos.

Mas então o previsível aconteceu, Saraswati e Nichdali se apaixonaram por Ele, e resolveram que iriam fazer –lhe uma proposta, e esperavam com o coração na mão que fosse aceita.

 Propuseram nada mais nada menos, que Ele as desposasse; Krishna ficou pensativo........muito pensativo........passando seus braços ao redor da cintura de ambas ....... primeiro pousou sua boca sobre os lábios de Saraswati, logo em seguida sobre os olhos de Nichdali experimentando através destes dois longos beijos, o sabor estonteante e voluptuoso de toda a terra.

Voltando a ambas, lhes disse: (primeiro olhando para Saraswati). - Teus lábios têm o perfume do âmbar e de todas as flores.....(olhando para Nichdali) comentou: - Tuas pálpebras velam profundos olhos e sabes sondar tua própria alma.

As amo incondicionalmente, não amarei somente um ser nunca.... somente amarei com amor eterno....e complementou seu raciocínio dizendo assim: Para Eu amar um só ser, seria necessário que a luz se extinguisse do dia, que um raio caísse em meu coração e que uma alma se lançasse fora do céu.

E assim ambas voltaram para casa tristes e chorosas.

Na noite seguinte os golpes se reuniram para seus jogos, mas em vão esperaram seu Mestre.

Ele havia desaparecido não deixando mais que sua essência, um perfume de seu ser: os cantos e as danças sagradas.

 Deste momento em diante, Krishna, procurou seus antepassados em busca de notícias ainda de sua mãe e do velho ancião.

Se deparou com a inveja e ira de seu tio, o rei Kansas; teve encontros com demônios de toda a extirpe, brigou contra toda a ilusão que chegava até Ele; e assim o rei de madura, o rei Kansas, tentava impor ao caminho do Mestre sempre dificuldades enormes com o objetivo de vê-lo desanimar e cair desgraçadamente ao chão.

E foi assim, durante o seu caminhar, que encontrou um centenário Vasichta que vivia há quase um ano, em uma cabana escondida no mais profundo da selva intacta.

Este velho tinha já se libertado das leis da matéria, e vivia totalmente liberado das ações egoístas dos homens.

 

Krishna, marchando pelo estreito caminho, se encontrou de repente com este ancião; estava sentado, as pernas cruzadas sobre uma esteira, apoiado em um poste que sustentava sua cabana, em uma paz profunda.

 De seus olhos de cego, saia um resplendor interno de vidente, e quando Krishna o viu, o reconheceu, sabendo que era “o sublime ancião” Sentiu uma comoção de alegria; o velho estende seus braços em direção à Ele, e disse “OM”.

Intuitivamente o velho olha para o rei Kansas que o perseguia, e fala que a morte seria benéfica já que a matéria de seu corpo não prestava para mais nada, e que o filho de Mahadeva e de sua irmã estava ali, representado por Krishna, Aquele que iria destruir seu reinado.

Pálido de ira, Kansas estendeu seu arco, e com toda sua força, lançou uma flecha contra Krishna.

Mas, neste momento, seu braço tremeu e a seta disparada, desviando-se do seu alvo, foi cravar diretamente no peito de Vasichta, que com os braços em cruz, parecia esperá-la com total êxtase.

Krishna ecoa um grito terrível, pois sentiu vibrar a flecha em seu ouvido, e viu a mesma no corpo daquele iluminado...   e lhe parecia que havia entrado em seu próprio coração; de tal modo que sua alma neste instante havia se identificado com a do Rishi (homem realizado).

Com esta flecha aguda, toda a dor do mundo transpassou a alma de Krishna.

 Entretanto, o ancião com a flecha em seu peito, murmurava para Krishna: “Filho de Mahadeva, por que gritas?

 Matar é uma ação tão absurda que só os profundos ignorantes, os escravos do ego a praticam.

A flecha não pode ferir sua alma, e a vítima é o vencedor do assassino. Triunfa Krishna... o destino se cumpre.

 Eu volto à Aquele que não se muda jamais, sendo Ele eternamente imutável.

 Que D’eus receba minha alma. Mas tu é o elegido salvador do mundo, em pé......Krishna.......Então um resplendor rendeu o negro céu e Krishna que tinha caído na terra como ferido por um raio, passou sobre uma luz deslumbrante.

 Mas seu corpo parecia insensível, sua alma unida a do ancião, pelo poder da simpatia, subiu nos espaços, elevando-se ambos ao sétimo céu   dos Devas (deuses), até ao Pai de todos os Seres, ao Sol dos Sóis, Mahadeva, a Inteligência Divina.

Ambos se submergiram em um oceano de luz, e bem no centro Krishna viu a DEVAKI, sua mãe radiante, sua mãe glorificada, que com um sorriso inefável, lhe estendia os braços e lhe atraia em seu seio.

Milhares de Devas vinham beber na radiação da Divina- Mãe, como em um foco incandescente e Krishna se sentiu como reabsorvido em um olhar de Amor de Devaki.

 

Então, do coração da mãe luminosa, viu-se raios que atravessaram todos os céus.

 Ela sentiu que Krishna era a alma divina de todos os seres, a palavra de vida, o verbo criador superior da vida Universal; Ele a penetrava, SEM a menor essência de dor, através do fogo da oração e a felicidade de um divino sacro-ofício.

Quando Krishna voltou a si, a selva estava sombria e torrentes de chuva caiam sobre a cabana.

“O ancião sublime” já não era mais que um cadáver. Mas Krishna se levantou como um ressuscitado.

Um abismo o separava do mundo e de suas vãs aparências.

 Ele havia percebido a grande verdade e compreendido sua missão.

E quanto ao rei Kansas, cheio de espanto, corria sobre o seu carro perseguido pela tempestade e seus cavalos corriam fustigados por mil demônios.

Krishna foi saudado pelos anacoretas (povo da aldeia de sua mãe) como o sucessor esperado e predestinado de Vasichta.

 Se celebrou    o SHRADA, a cerimônia fúnebre do realizado ancião, na selva sagrada, e o filho de Devaki (Krishna) recebeu o bastão dos sete nós, sinal de comando, depois de haver feito o sacrifício do fogo em presença dos mais antigos anacoretas, daqueles que sabem de memória os três vedas (verdades eternas).

 Em seguida, Krishna se retirou ao monte Meru para meditar ali sua disciplina e o caminho da salvação para os homens. Suas meditações e suas austeridades duraram sete anos.

Então sentiu que havia dominado sua natureza terrena por meio de sua natureza divina, e que se havia identificado grandemente com o sol de Mahadeva para merecer o nome de filho de D’eus.

Então chamou a seu lado, os anacoretas jovens e anciões para revelar-lhes sua disciplina.

Eles encontraram Krishna totalmente modificado, bastante purificado e engrandecido; o herói se havia transformado em um iluminado; não havia perdido sua força de leão, mas havia ganho a doçura das aves.

 

Entre os primeiros que o ouviram, estava Árjuna, um descendente dos reis solares, um dos Pándavas destronados pelos Kauravas, os reis lunares.

O jovem Árjuna era apaixonado, cheio de fogo, mas pronto a desencorajar-se e a cair em dúvida, e se entusiasmou apaixonadamente com as filosofias de Krishna.

 Este, sentado sobre os cedros do monte   Meru, frente ao Himalaya, começou a falar aos seus discípulos as verdades inacessíveis aos homens que vivem na escravidão dos sentidos.

 Os ensinou a disciplina do ATMA imortal, de seus renascimentos, e de sua união mística com D’eus.

O corpo, envolve o ATMA, ou seja, a ALMA, e este corpo é finito; mas o ATMA que habita um corpo material é invisível, incorruptível e eterno.

 O homem terrestre é triplo como a divindade que reflete: inteligência, atma e corpo.

Se o atma se une a inteligência, alcança SATWA, a sabedoria e a paz. Se o atma permanece incerto entre a inteligência e o corpo, então está dominado por RAJAS, a paixão e vai de objeto em objeto em um círculo fatal.

 Se finalmente o atma abandona o corpo, então cai em TAMAS, o sem razão, a ignorância, a morte temporal.

 E aí o que cada homem pode observar de si mesmo e ao seu redor (o anunciado deste entendimento, foi mais tarde a de Platão).

Mas Árjuna queria saber qual   é o destino do homem depois de sua morte..... se temos de obedecer sempre a mesma ordem?.... ou podemos escapar deste destino?.... --------Jamais Escapamos da lei suprema e obedecemos a ela sempre.... disse Krishna, eis aqui o mistério dos renascimentos.

Como as profundidades do céu se abrem aos raios das estrelas, assim as profundidades desta vida se iluminam à luz desta verdade.

 E Árjuna continuava perguntando sobre os mistérios da remanifestação, pelas leis que governam nossa matéria, as trigunas (Satwa, Rajas e Tamas).

Quando Krishna pressentiu esse profundo momento de interesse de Árjuna sobre os mistérios da vida, Krishna aproveitou o momento e concluiu: “Escuta, um grandissíssimo e profundo segredo, o mistério soberano, sublime e puro”.

 Para se alcançar a perfeição, tem que se conquistar a ciência da unidade (síntese ou yoga), que está acima da sabedoria; há de elevar-se ao Ser Divino que está acima do ATMA, sobre a própria inteligência.

Mas este Ser Divino, este amigo sublime, está em cada um de nós. Porque D’eus reside no interior de todo homem, mas poucos sabem encontrá-LO.

E é esta a via de salvação. Uma vez que hajas pressentido ao ser perfeito que está sobre o mundo e em ti mesmo, decide-te abandonar o inimigo, que toma a forma do desejo (por coisas materiais).

Domina vossas paixões. Os gozos que procuram os sentidos, são como as matrizes dos sofrimentos que hão de vir.

 Não faça somente o bem: SEJA BOM......Renuncie ao fruto de vossas obras, mas que cada uma de vossas ações seja como uma oferenda ao Ser Supremo. Aquele que se rende à D’eus, alcança a perfeição.

 

Unido espiritualmente, alcançarás esta sabedoria espiritual que está acima do culto das oferendas, e sente uma felicidade divina, porque aquele que encontra em si mesmo sua felicidade, seu gozo e ao mesmo tempo também sua luz, é UM com D’EUS.  .. e sabendo a alma que tenha encontrado à D’eus, estará liberta dos renascimentos e da morte, e beberá a água da imortalidade.

Deste modo, Krishna explicava sua filosofia científica a seus discípulos e pela contemplação interna, os elevava pouco a pouco as sublimes verdades que se haviam revelado sob os relâmpagos da visão direta.

E assim aconteceram vários ensinamentos aos discípulos de Krishna.

Todos ficavam sempre muito embevecidos com suas palavras e discursos.

Aqui eu diria: leia a Gita, com todo o seu coração e discernimento átmico, pois nela está contida toda a beleza da vida, na sua mais profunda verdade, que somos todos nós.

 Depois de haver instruído a seus discípulos no monte Merú, Krishna foi com eles até as margens do rio Ganges, para converter o povo.

Entrava nas cabanas, e se detinha com as palavras. Ao entardecer, nos arredores das aldeias, a multidão se agrupava ao seu redor.

 O que pregava ao povo era a sagrada compreensão ao próximo.

Ele dizia: “O mal que praticamos aos nossos próximos, nos perseguem como nossa sombra do corpo”.

As obras que têm como base o amor ao próximo, são as que devem ser ambicionadas pelo justo, pois serão as que pesam mais na balança celeste.

 Se acompanhas os bons, teus exemplos serão inúteis; não temas em viver entre os maus, para conduzi-los até o bem.

 Quando os semissábios, os incrédulos, lhe pediam explicações sobre a natureza de D’eus, respondia com sentenças como esta: “A ciência do homem é vã; todas suas boas ações são ilusórias quando não sabe relacioná-las a D’eus; somente D’eus pode compreender D’eus.....Não eram essas as únicas coisas novas de seus ensinamentos; embelezava e arrastava a multidão, sobre tudo que dizia de D’eus vivo, de VISHNU.

Ensinava que o Senhor do universo havia encarnado mais de uma vez entre os homens; se havia manifestado sucessivamente nos sete Rishes (mestres ascencionados), em Vyasa (também mestre ascenso), e em Vasichta, e se manifestaria de novo.

Mas Vishnu, gostava de falar através dos humildes: de um mendigo, através de uma mulher arrependida, de uma criança... Por meio dos exemplos mencionados e tantos outros, Krishna predicava o culto à Vishnu.

O renome do profeta do monte Meru se difundiu pela Índia.

 Nesta ocasião, o velho Nanda já havia morrido, e suas duas filhas que Krishna amava viviam separadas.

Saraswati, irritada pela partida de Krishna, havia buscado recompensa em um casamento com um homem de casta nobre, que se apaixonou por sua beleza, mas em seguida a repudiou e a vendeu   a um comerciante.

Tempos depois, voltou a sua cidade natal a procura de sua irmã; esta não tinha se casado, e vivia com um irmão como sua servente. Saraswati contou toda sua estória para a irmã, e está lhe disse que somente Krishna poderia salvar-lhe.

Explicou a irmã que ELE tinha se tornado “um Divino”, um grande profeta, e que Ele vivia pregando ao redor do Ganges.

Então resolveram ir ao encontro D’ELE.

Krishna se dispôs a ensinar seus ensinamentos aos guerreiros, porque por turnos predicava aos monges, também aos homens da casta militar e ao povo.

Aos monges ensinava, com a calma da idade madura, as verdades profundas da ciência divina; entre aos Rajás celebrava as virtudes guerreiras e familiares com o fogo da juventude; ao povo falava, com a sensibilidade da infância, de caridade, de resignação e de esperança.

Logo as duas irmãs se encontraram com o Mestre, e foram por Ele reconhecidas como suas seguidoras, e as nomeou como Saraswati sendo sua seguidora da fé, e Nichdali como sua seguidora do amor.

  Kansa reinava ainda em Madura.

Depois do assassinato de Vasichta, o rei não havia encontrado paz sobre seu trono.

 Nysumba, esposa de Kansa, também se rendeu ao fracasso, e só pensava em seus poderes perdidos.

 O rei ainda inconformado, mandou outra tropa de soldados até as margens do Ganges, com a finalidade de persuadirem Krishna, para levá-lo à presença do rei.

O Mestre muito intuitivo, logo percebeu a intenção, e muito inteligentemente, pediu um tempo aos soldados e antes de irem ao rei, começou a falar do Rei do Mundo, Mahadeva.

 Claro, aí vocês já podem imaginar, Krishna conquistou a todos, e sendo assim não O levaram até a presença de Kansa.

Inconformado, Kansa voltou para pegá-lo com mais soldados de sua confiança, mas com a convicção de que não iriam ouvi-Lo.......tudo em vão......mais uma vez Krishna encanta a todos.

Nesta altura Ele já estava sendo chamado até de Mago. Kansa triplicou sua guarda, e mandou colocar cadeados em todos os portões do palácio.

Um certo dia, ouviu um grande ruído na cidade, gritos de alegria e de triunfo.

 

 Os guardas lhe trouxeram a notícia de que era Krishna que entrava em Madura, e que todo o povo rompia suas portas para recebe-Lo. E tudo isto era fato: Entrou sob uma chuva de guirlandas de flores; todos o aclamavam; todos O saudavam como vencedor da serpente, o herói do monte Meru; mas acima de tudo ao profeta de VISHNU.

 Seguido de brilhante cortejo e saudado como um libertador pelo povo, Krishna se apresentou ao rei Kansa e sua mulher, lhes dizendo que apesar de merecerem castigos pelos seus erros, por um reinado de injustiças, ainda assim Ele não iria lhes conferir a morte, pois queria mostrar aos seus seguidores que não é matando que se reequilibra um malfeito, e sim triunfando sobre seus inimigos.

Resolveu mandá-los a um lugar de penitencias com a finalidade de que eles observassem seus crimes.

 Passados alguns dias Krishna com a concordância dos mais velhos, consagra a seu discípulo Arjuna, o mais ilustre descendente da raça solar, como rei de madura, e deu-lhe a autoridade suprema dos Brâmanes, que se converteram em instrutores dos reis. Krishna continuou sendo chefe dos anacoretas, que formaram o conselho superior dos Brâmanes.

Então construíram para si mesmos uma cidade forte entre as montanhas; se chamava DWARKA.

No centro desta cidade encontrava-se o templo dos iniciados, cuja parte mais importante estava oculta no subterrâneo; entretanto, quando os reis do culto lunar souberam que um rei do culto solar havia subido ao trono em Madura e que os Brâmanes iam ser os donos da Índia, formaram entre si uma poderosa liga para derrubar o trono.

 Arjuna, por sua parte, agrupou ao seu redor todos os reis do culto solar, da tradição védica.

 Desde o fundo do templo de Dwarka, Krishna os seguia, os dirigia.

Os dois exércitos se encontravam em presença, e a batalha era eminente. Arjuna, ao faltar-lhe ao seu lado o Mestre, sentia-se conturbado e seu valor debilitado.

 Uma manhã, ao romper o dia, Krishna apareceu ante a tenda do rei, e seu discípulo lhe perguntou por que não teria começado o combate que iria decidir quem iria reinar sobre a terra, os filhos do sol ou os filhos da lua?

E Arjuna responde que sem Ele não poderia fazê-lo.

 Desolado, pediu ao Mestre que junto dele olhasse os dois exércitos imensos e essas multidões que iriam morrer.

Desde a eminência em que estavam colocados, o Senhor dos Espíritos e o rei de madura contemplaram os dois exércitos imensos, alinhados em ordem, um frente ao outro.

Se viam brilhar os fios das malhas douradas dos chefes; milhares de guerreiros, cavalos e elefantes, esperavam o sinal do combate.

 E neste momento, o mais ancião dos Kauravas, assoprou a grande concha com um rugido de leão, e assim deu-se o início ao combate. Krishna sentiu-se logo muito violentado e sentiu fundir-se seu coração, submergido na piedade e falou muito abatido: “Ao ver tudo isto, minha boca se seca, meu corpo treme, meus cabelos se eriçam sobre minha cabeça, meu pé arde, meu espírito gira   em tonturas.

Ninguém pode viver bem, vindo desta matança.

Questionou sobre absolutamente tudo, seus parentes, amigos, enfim.......exausto Arjuna foi surpreendido por Krishna quando este lhe disse: Em pé! Te chamo de rei do sono para que teu espírito esteja sempre alerta.

Mas teu espírito dormiu e teu corpo venceu tua alma.

Os que acreditam que a alma mata ou morre, se enganam igualmente.

 Nem mata e nem pode matar.

Ela não foi nascida e não morre, e não pode perdê-la, o ser que a sempre teve.

Nem a espada a corta, nem o fogo a queima, nem a água a molha, nem o ar a seca.

 Duradoura, firme, eterna, ela atravessa o todo; para aquele que nasce a morte é certa, e para o que morre o renascimento é certo.

  Então Arjuna sentiu ferver seu sangue real com seu valor, lançando-se sobre seu carro dando o sinal de combate.

 Krishna se despediu de seus discípulos, porque estava seguro da vitória dos filhos do sol.

Ele havia compreendido que, para fazer valer sua espiritualidade aos vencidos, era preciso ganhar sobre sua alma uma última vitória, mais difícil que a das armas.

 De igual modo que o venerável Vasichta havia sido morto, atravessado por uma flecha para revelar a verdade suprema a Krishna, assim Krishna deveria morrer voluntariamente sob os golpes de seu inimigo mortal, para implantar no coração de seus adversários a fé que Ele havia ensinado aos seus seguidores e ao mundo.

Ele sabia que o rei de madura havia se refugiado na casa de Kalayeni, o mago negro, rei das serpentes; e que Ele Krishna estava sempre sendo vigiado pelos homens desse seu rival.

O mestre sentia em contrapartida que sua missão tinha terminado e por esta razão, cessou de evitar a companhia do inimigo pelo poder de sua vontade.

Por fim, o filho de DEVAKI queria morrer longe dos homens, perto do Himalaya.

 Ali se sentiria mais perto de sua mãe radiante, do sublime ancião e do sol de Mahadeva. Krishna partiu...... nenhum de seus discípulos havia penetrado seus desígnios.

Somente Saraswati e Nichdali que o seguiram, claro, com sua permissão.

Após alguns dias de viagem, elas questionaram ao Mestre do porquê daquilo?

E Krishna respondeu: É necessário que o filho de Mahadeva morra atravessado por uma flecha, para que o mundo acredite em sua palavra.

Pediu então que todos orassem durante sete dias.

O semblante de Krishna se transfigurava e parecia mais radiante.

 Após o sétimo dia os arqueiros do rei Kansa chegaram próximo do Mestre, olharam para as mulheres..... eram soldados rudes, de rosto amarelado e negro.

Ao ver a figura estática do mestre, se detiveram.

 Primeiro o injuriaram, depois lhe jogaram pedras, mas Ele não saia de sua imobilidade.

Logo os arqueiros se colocaram à distância e se puseram a atirar sobre Ele.

A primeira flecha que lhe atravessou, lhe brotou o sangue e Krishna exclamou: “Vasichta, os filhos do sol venceram”.

Quando a Segunda flecha vibrou em sua carne, disse: “Minha mãe radiante, que os que me amam, entrem comigo em sua luz”.

E na terceira disse somente: “Mahadeva! ...(D’eus).....e logo, com o nome de D’eus, entrego meu espírito”.

O sol havia se escondido, um grande vento se fez, uma tempestade de neve inundou o Himalaya.

O céu se fechou.

 Os assassinos fugiram; e as duas mulheres caíram desvanecidas sobre o solo;

O corpo de Krishna foi queimado por seus discípulos na cidade de DWARKA.

Saraswati e Nichdal se atiraram na fogueira para unirem-se a seu dono e Mestre; e a multidão acreditou ver o filho de Mahadeva sair das chamas em um corpo cheio de luz, subindo rumo ao infinito e levando consigo as duas nobres mulheres que tanto o amavam em vida.

Depois disto, uma grande parte da Índia adotou o culto de Vishnú, que conciliava os cultos solares e lunares na ciência mística de Brahma (D’eus).

 Tal é a legenda de Krishna, reconstituída em seu conjunto orgânico e colocada na perspectiva da estória.

 Ela arroja uma viva luz sobre as origens do Brahmanismo. “SEMPRE HÁ UM GRANDE SER HUMANO NA ORIGEM DE UMA GRANDE INSTITUIÇÃO”.

Considerando o papel dominante de Krishna na tradição épica e de linhagens também, seus aspectos humanos por uma parte e por outra, sua identificação constante com D’eus manifestado ou Vishnu, força-nos a crer que Ele foi o criador do culto Vishnuista, que deu ao Brahmanismo sua virtude e seu prestígio.

 É, pois, lógico admitir que em meio ao caos religioso e social que se criava na Índia primitiva, a invasão dos cultos naturalistas e apaixonados, apareceu um reformador iluminado que renovou a pura ciência ariana pela ideia da trindade e do verbo divino manifestado, que possuiu ao céu pela sua obra e por sacrifício de sua vida, e deu assim à Índia sua alma mística, sua forma nacional e sua organização definitiva.

 Mas a importância de Krishna nos parece ainda maior e de um caráter realmente universal, se notarmos que sua ciência mística experimental encerra duas ideias mães, dos princípios organizadores das religiões e da filosofia esotérica.

Estas são: a doutrina orgânica da imortalidade da alma ou das existências progressivas pela remanifestação ,  e a que corresponde à trindade ou verbo divino revelado ao homem.

A ideia de que D’eus, a verdade, se revelam no homem consciente com um poder redentor que ressalta até as profundidades do céu pela força de amor e de sacrifício; essa ideia fecunda   entre todas, aparece pela primeira vez em Krishna.

Ela se personifica quando, saindo de sua juventude ária, a humanidade vai se render-se mais e mais ao culto da matéria.

 Krishna nos revela a ideia do verbo divino; Depois de Krishna há como uma poderosa irradiação do verbo solar através dos templos da Ásia, África e Europa.

Em todas as partes o D’eus Solar é um Deus mediador e a luz também é a palavra de vida.

 Por Krishna entrou a ideia messiânica no mundo antigo; por Jesus irradiou-se esta mesma ideia  sobre o ocidente; e hoje sendo difundido imensamente pela filosofia do Mestre atual encarnado em nossa época, “Sri Bhagavan Mitra Deva”(o primeiro  de uma sucessão de nove avataras), para que possamos chegar ao cume desta estória com a vinda do próximo Maha Avatar que terá 100% da energia de Narayana, ou seja Ele próprio, aproximadamente daqui há alguns anos (isto pode ser modificado pelo acréscimo do nosso nível consciencial) que virá com o nome de Kalki Avatar, sendo Este mais conhecido aqui no ocidente com o nome de “Senhor Maytréia” .(também Mestre  da Suddha Dharma Mandalam, morador em uma das cidades em Badari Vana , localizada no norte do Himalaya). Para terminar esta matéria, recordarei uma passagem do Srimad Bhagavad Gita onde Arjuna questiona Krishna da seguinte forma: “Quem sou eu? E o Senhor respondeu: “Tu és, meu filho, tudo aquilo que eu sou”.

-Pra que eu vivo?

-Tu vives para responder à todas as tuas perguntas.

-Onde estás, Oh! Grande D’eus?

E onde não estou?.............

Kali Jayanti

 




Kali Jayanti, 
É a celebração do aparecimento de Maa Kali, uma das formas mais poderosas e reverenciadas da Divindade feminina no Hinduísmo. Ela simboliza a força divina que destrói a ignorância, o ego, o medo e todas as energias negativas que impedem o crescimento espiritual.

A palavra "Kali" deriva de Kala, que significa "tempo". Ela representa o poder do tempo que transforma tudo e conduz à renovação. Embora sua aparência possa parecer assustadora, para os devotos ela é uma Mãe amorosa e protetora, que ajuda seus filhos a superar dificuldades e a encontrar a verdade.

Significado de alguns símbolos de Kali:
Cor escura ou negra: representa o infinito, o absoluto que contém toda a criação.
Língua projetada: simboliza humildade e a destruição do ego.
Guirlanda de cabeças: representa a superação da ignorância e das limitações da mente.
Armas em suas mãos: indicam a força para remover obstáculos e proteger os justos.
Postura sobre Shiva: simboliza a união entre energia (Shakti) e consciência (Shiva), princípios fundamentais da criação.

"Maa Kali nos ensina a ter coragem para enfrentar nossos medos, abandonar hábitos negativos e desenvolver força interior. Ela nos lembra que, assim como a noite escura dá lugar ao amanhecer, os desafios da vida também podem se transformar em crescimento e sabedoria."

"A verdadeira força não está em dominar os outros, mas em vencer o medo, a ignorância e as fraquezas dentro de nós mesmos. Maa Kali nos inspira a despertar essa força interior."

"Jai Maa Kali! Que a Mãe Divina no aspecto de Kali, abençoe todos com coragem, proteção, sabedoria e paz." 🌺🙏
Que este Kali Jayanti traga luz, transformação e bênçãos sobre todos nós!
Jaya!
DeviMarga,
04/09/2026


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Convite a todos !!!!!

 


Queridos,
Namaskar!
Passo por aqui com muita alegria para convidá-los(as) para o curso Yoga Brahma Vidya — um aprofundamento em esoterismo, autoconhecimento e expansão da consciência, oferecido por nossa escola.
Este é o primeiro de dois cursos fundamentais dentro da nossa linha de ensinamentos e, juntamente com o segundo, que é o curso do Sanatna Dharma, são os únicos que requerem um investimento financeiro para sua realização. Ao longo da caminhada, poderão surgir workshops e atividades complementares, que poderão ser gratuitos ou pagos.
Sabemos que cada pessoa possui uma realidade diferente. Por isso, caso seja necessário, o investimento pode ser ajustado de forma mais tranquila, de acordo com suas possibilidades. Basta conversar conosco para encontrarmos a melhor forma.
Para você que já é Iniciado(a) na Escola ou não, e já concluiu, ou está concluindo o curso de Suddha Raja Yoga (Sádhana), este é o momento!
Não adie essa oportunidade, o Tempo (Sr. Kala/Kali) é tempestuoso, tudo pode mudar nessa trajetória a qualquer momento.
O Yoga Brahma Vidya amplia e aprofunda os conhecimentos já adquiridos em sua jornada, oferecendo conteúdos essenciais para um desenvolvimento mais consistente e integrado dentro dos ensinamentos Suddhas.
Vale lembrar que, para dar continuidade ao percurso interno e aos processos de aprofundamento oferecidos por nossa linhagem, é necessário ter realizado estes dois cursos fundamentais....que o segundo curso remunerado, sempre ocorre em média, 3 anos após este Yoga Brahma Vidya.
Com grande entusiasmo, iniciaremos uma nova turma no dia 01 de agosto. As aulas acontecerão em formato híbrido, permitindo que você participe presencialmente ou de forma online, conforme sua conveniência.
Se sentir o chamado para esta experiência transformadora, entre em contato comigo. Terei alegria em encaminhá-lo(a) diretamente ao Naradeva Shala para a realização de sua inscrição e informações do curso.
Posso afirmar, por experiência, que este curso é um verdadeiro divisor de águas na caminhada do buscador sincero.
Estou te esperando de coração aberto para esta nova etapa. ------------------------------------------------------------------------------------------------
Para os que já conhecem o curso

Passo por aqui para convidar todos aqueles que já concluíram o curso Yoga Brahma Vidya a participarem de uma reciclagem e aprofundamento desse conhecimento — uma oportunidade de expandir seus estudos em esoterismo, autoconhecimento e expansão da consciência, oferecida por nossa escola.
✨ Condições especiais:
Alunos das turmas 09 e 10 poderão participar da reciclagem gratuitamente.
Alunos das turmas anteriores terão um investimento de R$ 100,00 mensais.
Todos os que já são iniciados nesta escola e ainda não realizaram este curso terão um desconto especial.
Para informações sobre a reciclagem, entrem em contato diretamente comigo.
Para informações sobre o curso, entrem em contato com a equipe do Naradeva Shala:
📞 WhatsApp: +55 11 94748-9690
Esta é mais uma oportunidade ímpar para o seu aperfeiçoamento interior. O curso reúne os ensinamentos tradicionais do Yoga, do caminho Suddha e diversos conhecimentos provenientes de abordagens contemporâneas e ciências modernas, ampliando a compreensão sobre o desenvolvimento humano e espiritual.
📅 Início da nova turma: 01 de agosto
As aulas acontecerão em formato híbrido, permitindo a participação presencial ou online, de acordo com sua conveniência.
Trata-se de um curso livre de autoconhecimento, não profissionalizante, cuja realização não obriga nem pressupõe a adesão ou ingresso na Escola do SDM.
Estou te esperando!
Shantirasthu,
Devimarga,
(Instrutora desta Mandala)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O dia de hoje para vivenciar

 





O dia de hoje para vivenciar
17/04/2026

Queridos,
Namaskar,

Para todos que não assistiram hoje a meditação da Lua Nova, eu recomendaria que assim o fizessem.....
Como sempre fazemos em nossos encontros virtuais, dividimos com todos, orientações importantíssimas de acordo com as necessidades do momento....
E hoje, é mais um encontro daqueles raríssimos que estamos vivenciando.

A Lua Nova de hoje, entrou ás 08:54h
Primeira Lua Nova em Áries deste ano solar, que é o signo do desbravamento e junto com ele, de uma forma raríssima, conjunções de mais 7 energias, o que faz deste momento planetário, algo de excepcional, pois nos inspira diretamente em todos os sentidos de nossa vida.

Não tem como ficarmos alheios a essas vibrações que nos envolvem diretamente e de forma avassaladora, trazendo emoções, lições, entendimentos e assim vai, que farão parte do nosso dia a dia inevitavelmente.

Essas energias de forma somatória são: além do próprio signo já mencionado, Quíron, Netuno, Saturno, Marte, Mercúrio, Lua e Sol.
Esse é um momento significativo do céu astrológico, pois faz alguns mil anos atrás que isto aconteceu.

De entendimento fácil que, assim sendo, claro, portais a mais se abrem, nos favorecendo ou não ainda mais em nossas feituras individuais.
E o resultado positivo ou negativo deste acontecimento em nós, dependerá de estarmos despertos em consciência, ou ainda não ....

Este acontecimento é chamado por muitos de “Stellium em Áries”, que é quando ocorre de 4 ou mais planetas se concentrarem em um único signo...e vejam que aqui são 7 energias.

Tudo isso nos chama pra trabalharmos em consciência nossa “PLENA ATENÇÃO”, que é nosso estado de “PRESENÇA” contínua na vida.....isso não é só pra este momento glorioso e sim, para todo o sempre de agora em diante......

Essa conjunção nos traz muitas coisas boas como:
-Mais energias
-Vitalidade
-Audácia
- Despertar maior de nossa própria consciência
-Decisão
-Mergulhos profundos em nosso ser
-Verdades
-Alinhamento de Intenções com ações, ou seja, Satyavachana

Mas, também nos cobra:
-Ações reconstrutoras, renovadoras
-Comprometimento com tudo àquilo que desejamos e edificamos
-Renascimento de uma nova perspectiva em nossa vida
-Que deixemos a inércia de lado, para encararmos definitivamente todas as questões de nossa vida que não mais ressoam em nossos corações
-Que aceitemos com clareza de Alma, que ciclos se fecham e isso é natural


E mais, acentuam a necessidade de fortalecermos em nós os seguintes aspectos:
-O comprometimento pessoal de trabalharmos nossos traumas de todas as nossas fases da vida
-Nos aplicarmos de forma concentrada em nossas curas individuais, sendo que estas  acontecem de forma mais fácil, através da Sagrada Compreensão vinda de nossa consciência
-Dedicarmos nossas energias com assertividade diária em nossas ações
-Alimentar mais nossa coragem para com a vida
-Nos dedicarmos com mais afinco aos nossos projetos de vida

Bem, com certeza muito mais além de tudo isso, tem por significados esta conjunção, porém não sou astróloga, sendo assim não qualificada para maiores esclarecimentos....
Minha fala é tão somente pelo lado energético e exotérico das circunstâncias.

E termino minha fala aqui deixando um parecer pessoal:
- Deixe sair de sua vida com SUAVIDADE, o que já não faz parte de você
- Deixe ficar em sua vida, o que tem SENTIDO e BOM SENSO para você

E sendo assim, termino aqui com um questionamento que você irá responder para si mesmo:
- O que você almeja para si neste momento desta nova vida que se inicia?



Dharmameva Jayathe,
Shantirasthu,
DeviMarga, 

domingo, 5 de abril de 2026

Meu aniversário deste ano de 2026

 Este foi meu aniversário de 70 anos.....


EEEeeeeeee Jaya !

Hoje sou eu !


Derramo sobre mim,  Luz, Amor, Saúde, Plenitude, Completude, Abundância, Prosperidade, Consciência, Sradha, Força, Liberdade, Harmonia....e assim vai....


E quanto maior me encontro, mais me divido com todos, multiplicando sempre minha arte ao servir....


Dharmameva Jayathe !

Shantirasthu,

DeviMarga,
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Agradecida a todos que participaram do dia do meu aniversário, que foi ontem (dia 03), mas, começou antes de ontem (dia 02) e continua ainda hoje (dia 04)
70 anos vividos no meu universo que eu construí para mim......
Cumprimentos que vieram de formas diversas e continuam chegando....de pessoas amadas, queridas, amigas, cúmplices, companheiras, enfim, de gente que é gente como eu, que também adoram viver intensamente esta grande aventura humana...... 
Tudo isto realmente é uma delícia de se sentir!
Sem dúvida é nutrição de caminhos escolhidos com discernimento e acolhimento da Alma.

Dhanyavad, Dhanyavad, Dhanyavad,

Chuva de Bençãos e de Luz sobre todos nós!!!!!
Shantirasthu,
JAYA! JAYA! JAYA!

DeviMarga,



Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida

 Amados, 

Resolvi dividir com vocês uma pérola de Sri Vájera Yogui Dasa

Espero que gostem e se encantem com seus ensinamentos tão pontuais
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Conferência ditada por Sri Vájera Yogue Dasa, no templo da Suddha Dharma Mandalam


 

Uma das mais famosas parábolas de Jesus Cristo é interpretada pelo Instrutor de Yoga Brahma Vidya, a partir de uma revelação originada de seus profundos estudos, procurando alcançar uma dimensão mais profunda nos ensinamentos do Cristo.


Depois de ter o bom karma de ser instruído por alguns dos mais altos iniciadores da Grande Organização Esotérica da Índia – denominada Suddha Dharma Mandalam – obtive a revelação, ou a intuição espiritual da conhecida frase que aparece na Bíblia, pronunciada por Jesus, O Cristo, a qual é apresentada como título do estudo que pretendo fazer a seguir.


Recordaremos, desde logo, que Jesus, O Cristo, em muitas ocasiões, ensinava em forma de parábolas ou símbolos, para que a Sabedoria Divina contida na Ciência dos Poderes do Espírito ou Ego Pessoal fosse entendida pelos que tinham “Olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mateus XII, 16)


Tal procedimento é uma lei que persiste até nossos dias nas organizações esotéricas.


 A Divina Hierarquia de Hierofantes da Suddha Dharma Mandalam mantém em absoluto segredo as chaves para atualizar os poderes do atman, ou Ego.


 Isso ocorre mesmo quando há um personagem digno e santo, merecedor da VamaDeva Diksha, a grande iniciação conferida por um iniciador físico, devidamente autorizado pela Hierarquia Divina, e outorgada por um siddha espiritual (mestre espiritual).


 Antes de chegar a ser merecedor ou estar apto a obter tão altíssima iniciação, os discípulos que cumprem com os requisitos adequados, observando as oito qualidades átmicas – ausência de inveja; compaixão; paz; ausência de cobiça; pureza integral física e de coração; ausência de egocentrismo; perseverança; irradiação de felicidade para todos os seres e as práticas de Raja Yoga – podem ser favorecidos com iniciações menores. 


Estas promovem algumas manifestações da glória que contêm o atman (alma) dentro do coração, e visões nos planos sutis para infundir maior fé, conhecimento direto de verdades reveladas, e uma vontade mais firme para continuar o caminho, vencendo as dificuldades da vida diária, impostas pelos guias ocultos para o necessário progresso do discípulo.


ALIÁS, É FREQÜENTE QUE O DISCÍPULO TENHA SONHOS simbólicos ou proféticos que o alertam a continuar firmemente no caminho da sabedoria oculta. 


É mediante a ciência infusa que as iniciações revelam que o estudante ou discípulo aceito descobre, pouco a pouco, mais e mais profundamente, as verdades encerradas nos símbolos, parábolas ou em contos aparentemente feitos para entreter as crianças, como podemos encontrar nos contos árabes das Mil e Uma Noites.


Voltando à análise da frase em estudo – “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (João, XIV, 6) – direi que o entendimento vulgar é aquele que se refere à pessoa de Jesus de Nazaré, considerando-o como um exemplo individual cujo modelo de vida é o Caminho; seus ensinamentos, sermões, máximas e instruções são os meios que podem nos conduzir ao conhecimento da Verdade Eterna, diferente das verdades transitórias ou passageiras.

 E, por último, entende que Jesus é o representante da Vida Perpétua.


Penso que essas palavras podem ter outra dimensão, não querendo dizer que tal análise seja a última palavra, pois é possível que outros as compreendam de diferentes pontos de vista. 


Nos ensinamentos dados pelos Mestres de Sabedoria, está dito que: “ [...] cada indivíduo é autor de seu próprio destino” (do livro Luz no Caminho), executando seu caminho. Pode, por acaso, ser Jesus o meu caminho?

 Não!

 Somente eu é que tenho de percorrer os caminhos que se deparam nas várias reencarnações que têm de experimentar minha chispa Divina, ou chama própria (consciência); isso deve ser feito para atualizar as potencialidades que a conduziram, plena de sabedoria, ao prapty, ou liberação final das sucessivas vidas terrenas.


NÃO PODE SER QUE O CRISTO, COMO MANIFESTAÇÃO humana, seja a Verdade Eterna, pois ele nasceu, cresceu e desapareceu fisicamente desta terra.


 A verdade visível de sua existência foi curta, passageira: apenas trinta e três anos. 


O Senhor, considerado enquanto homem, não é a Vida Eterna. Poucos dias depois de ter dito essas palavras (João, VI, 40 e 48), seu corpo individual estava morto.


 Então, que significado tem a palavra “vida” quando ele a pronunciou? Certamente deve expressar algo muito mais importante do que vida terrena.


A “Vida” verdadeira e eterna é aquela manifestada na partícula espiritual presente em todo ser vivo.


 Essa partícula percorre seu caminho, impulsionada por uma força interna, permanente e invencível. 


Nesse caminho, ela deve encontrar dentro de si mesma a Verdade Eterna do Espírito, individualizada no coração.


 E depois, com compreensão, realizar a união acidental com a onipotente e onisciente Consciência Cósmica, mantenedora da Vida Eterna na raiz evolutiva de todas as existências individuais.


Mas que condições são necessárias para percorrer esse caminho e chegar, progressivamente, à visão da Verdade Imutável?


 Que condições são necessárias para conhecer a ilimitada grandeza da Fonte da Vida, ou Parabrahman?


O mesmo Cristo disse: “Os pobres de espírito verão a Deus”.


 Quer dizer, tenham consciência de que há uma origem da vida universal. 


Mas, do ponto de vista esotérico, o que significa esse “pobres de espírito”?


 Suponho que nem um estudante primário da ciência mística possa acreditar que unicamente os tontos ou dementes poderão ver Deus, e os inteligentes e os sábios superdotados estão condenados à ignorância do contato consciente e progressivo com a união da Altíssima Glória da Substância Omnidifusa do Divino.


Essas ideias inferiores são falsas, contrárias a toda razão. 


Os sábios videntes da Índia explicam essas enigmáticas palavras e tiram o véu da importância que existe nos conceitos errados de alguns religiosos. 


“Pobres de espírito” indica aquelas pessoas que são desprovidas de acúmulos, àquelas que,  “não têm qualquer coisa que perturbe suas almas; não têm inveja, ódios, rancores, véus de ilusão e de vingança.


São “os puros de coração que verão a Deus” (Mateus V 8). 


Se um rico com maus sentimentos não alcança a pureza integral do corpo e da alma, será impossível para ele experimentar as gloriosas qualidades divinas; tão impossível quanto querer passar um camelo pelo buraco de uma agulha (Mateus XIX, 24).


SE QUISERMOS CHEGAR A SER IOGUES compreensivos da união transcendente eterna da Substância Primária da Vida, plena de transcendentes poderes, é imperativo lutar até empobrecer nosso espírito, deixando-o isento dos acúmulos que perturbam o avanço no Caminho Reto, que conduz à Verdade Imutável e à Vida Eterna.


Este estudo não teria utilidade prática se não recordarmos o sistema ou método de Yoga ensinado pelo Mestre Galileo, ao indicar o dhyana (meditação) ou as condições necessárias para efetuar com êxito as meditações que nos conduzem ao conhecimento da Verdade e da Vida. 


O Senhor ensinou dizendo: “Entra em teu aposento, fecha portas e janelas e, em silencio, adora teu Pai que está nos Céus” (Mateus VI, 6). Continuarei este assunto explicando os conceitos que contém cada frase.


“Entra em teu aposento”, significa o interior do ser, mas no mais profundo de nossa alma. Temos de seguir este Caminho.


 Nada nem o mais Excelso Ser Divino, pode realizá-lo por nós; cada indivíduo tem de transitar por si mesmo. 


Um mestre de sabedoria só nos pode dar indicações ou nos fortalecer mediante a Graça Divina, fonte d’Ele mesmo e com a invocação da Divindade, mas cada um de nós tem de andar por seu caminho individual.


Os guias espirituais colocam nosso carro físico neste mundo, com seu motor (atma, alma) e seu combustível (shakty, energia), mas somos nós que temos de dirigi-lo, transpondo obstáculos formados por enganos de personalidade, penhascos, fossos e muitíssimos outros estorvos.


 O esforço para vencer essas dificuldades aperfeiçoa nossa inteligência vida após vida, e desperta os poderes inerentes da Chispa Divina (fagulha de Deus em nós), acrescentando a insignificante faculdade do livre arbítrio que possuímos para que sejamos um bom guia para o nosso próprio destino.


“fecha a portas e janelas” significa apagar totalmente os ruídos mundanos. Silenciar os cinco indriyas, ou sentidos físicos.


 Abstrair todo o pensamento que distraia o dhyana, ou seja, a meditação escolhida.


 Não tem de entrar em nossa mente qualquer pensamento ou ideia que seja estranha para o nosso propósito contemplativo.


“Em silencio, adora teu Pai que está nos Céus”.


 A palavra “silencio” indica um dos mais difíceis estados mentais, necessário para conseguir obter êxitos espirituais. 


Podemos, com certa facilidade, fazer silencio exterior; mas dentro do aposento de nossa mente, os pensamentos saltam de um lado para o outro, como numa luta enlouquecida.


Um papagaio fala e fala sem parar um instante. Dentro da mente, produzem-se conversações, gritos, insultos e projetos, como, também ideias mentais indesejáveis, precisamente nos momentos em que queremos deixar nossa alma “pobre”, ou ausente de toda complicação.


 Só queremos ouvir a “voz do silêncio”. 


Mas o papagaio não se cala, as ideias não deixam de saltar.


 Sem dúvida, é necessário chegar à paz da “Oração de Quietude” para ouvir a “voz do silêncio”, melodiosa e divina.


“Adorar” significa amar sem pretender recompensas materiais nem espirituais. 


Adorar é um fluido espontâneo de puríssimo amor, que nasce do mais profundo da alma da Divindade.


 “Pai” é a essência da origem de nossa vida. 


“Que está nos Céus”; essa substância sutil de onde surgem todas as coisas e seres é também chamada Céu. 


Espírito de Deus, existente fora e dentro de tudo. É a Luz da Consciência, Poder e Glória do Absoluto sem limite. 


Todos os seres, sem exceção, têm de passar, vida após vida, pelo doloroso caminho que conduz ao progresso eterno, reconhecendo e adquirindo maior sabedoria, poder e glória no tempo sem limite, andando pelo “Caminho da Verdade e da Vida”.



PARA A PRATICA, DIZER MENTALMENTE E PENSAR as seguintes frases.


Eu sou o caminho: recolhendo os sentidos; adentrando-se na profundidade da alma; irradiando amor universal para alcançar o Eu Superior unindo a mente humana com o Espírito Eterno pleno de divinos poderes.


Eu sou a verdade: o corpo físico, com a efêmera existência nos planos materiais, é uma verdade passageira.


 Quando se alcança a visão e consciência pessoal do Espírito Eterno, a existência material se assemelha a um sonho ou ilusão.


 Em troca, o atma ou espírito, com sua permanência indestrutível e eterna, é considerado como uma verdade real, em meio às verdades passageiras (momentâneas) dos planos materiais.


Continuemos o Caminho concentrando o pensamento no Sol Eterno de verdade permanente, raiz de nossa vida.


 Eu sou a vida: quando se alcança a união ou yoga progressivo com o atma particular, adquire-se a consciência de que esse atma subsiste mediante uma base ou raiz universal, que na Ciência Yóguica é chamado de Param-Atma, o Supremo Espírito.

 Esse Supremo Espírito existe indiscutivelmente unido a tudo que surgiu, surge ou surgirá no tempo sem limite, infundindo, vida e consciência progressiva a tudo quanto exista, seguindo um plano divino de aperfeiçoamento de todas as formas materiais.


Alcançar a união consciente com o atma, mediante nosso esforço e firme vontade, é o único Caminho que nos conduz a obtenção da consciência da existência da Verdade, ou Deus Supremo.


“Por meio do Filho conhecerá o Pai”, ou seja, é necessário que o filho do homem físico busque o filho espiritual de Deus, nosso espírito pessoal.


 Com o encontro, começará a conhecer a transcendência ilimitada da vida presente no céu, na terra e em todo o lugar, transmitindo poder, sabedoria, glória e amor.


 É um fluir permanente vindo do mais profundo do eterno diretor espiritual de nossa vida, quando reconhecemos nosso Caminho, tomamos contato consciente com a Verdade dentro de nós mesmos, depois com a Vida. Então, entraremos no Reino dos Céus, onde toda a Ciência Divina nos será revelada.


Dedicamos esta publicação como um serviço à Obra Perene, impulsionada pela Divina Hierarquia em benefício e felicidade de todos os seres.